quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Promised you romance and safe place to hide

Desde o primeiro ataque de pânico/ansiedade, aquele no antigo trabalho, quando eu sentei no chão do banheiro e achei que fosse morrer porque meu coração estava tão disparado, minhas mãos tão suadas e minha audição e visão tão alteradas que eu achei que estava tendo um ataque cardíaco (não faço ideia dos sintomas de um ataque cardíaco), eu reconheço os sinais chegando.
Tudo começa com uma noite mal dormida por motivo nenhum. Tudo estava bem, tudo foi bem. Eu não precisava me preocupar e mesmo assim eu dormi mal. Depois é o enjoo que me impede de comer qualquer coisa de manhã, e a fome que vem faltando 1h pro almoço e me impede de comer pra - justamente - não estragar o almoço. E no meio disso tudo tem as conversas, as interações, os pequenos contratempos do dia.
Eu sei quando estou ansiosa.
Dependendo do dia eu consigo controlar.
Saio com o cachorro;
Saio pra correr;
Tomo um banho gelado;
Respiro fundo;
Canto em voz alta.
Dependendo do dia nem chega a durar dois minutos, dependendo do dia eu fico o dia inteiro esperando que isso aconteça de uma vez pra eu poder desencanar e seguir minha vida.
Dependendo do dia eu fico bem e ninguém percebe que eu estou, como na música do KLB, morrendo por dentro. 
São as mãos geladas.;
É o sorriso nervoso;
É a fala rápida.
Mas eu sempre fui assim, né? Fria. De riso fácil. De fala corrida.
Nem dá pra perceber.
Obrigada por mais 24h.


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E aí toda quinta-feira tem a terapia. 
Tem dias que eu chego querendo contar tudo porque eu não entendi nada e preciso que ela me ajude a organizar. Se eu sei, se eu reconheço, se eu entendo... Por que não consigo resolver? Por que meu planejamento metódico e minhas técnicas infalíveis falham? Por que eu não consigo me concentrar em uma simples tarefa, tipo ler um texto da faculdade, ou escrever alguma coisa no meu diário? Por que eu tô com um foco menor do que o de um esquilo sendo que eu cortei meu tempo gasto na frente do computador pela metade e não vejo mais jornal? 
E nesses dias eu falo, falo, falo, falo, falo mais um pouco até esgotar e aí percebo que já estou me enchendo de novo. E aí eu ouço.

CALMA.
RESPIRA.
TOME O CONTROLE.
VOCÊ SABE O QUE FAZER.
CALMA.


Quem é que manda um ansioso ter calma, pelo amor de Deus?



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E surpreendentemente é quando eu estou calma que as coisas funcionam.
Quem diria que a pessoa treinada pra uma situação daria um conselho que, de fato, funciona, hein?
QUEM DIRIA? (qualquer um)
E aí eu sento pra escrever. E aí eu respiro fundo. E aí eu tomo 2,5l de água por dia. E aí eu não crio nenhuma paranoia sobre estar desempregada, sobre o país estar acabando, sobre morrer sozinha rodeada por cães que vão comer meu rosto, sobre nunca me formar, sobre o moço perceber que eu sou completamente bugada e enjoar de mim. 24h sem neuras. Obrigada por mais 24h.


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E eu me acalmo quando estou com gente que eu gosto - inclusive sozinha porque, por mais estranho e contraditório que possa parecer, eu gosto MUITO de mim mesma. Eu gosto de cada defeitinho, de cada bug, de cada errinho que eu cometi (faria de novo? Não. Mas entendo o porquê de ter feito e entendo o porquê de não fazer de novo). Minha companhia é incrível. Eu sou incrível. Minha aparência é incrível. Eu sou CHEIROSA PRA CARAMBA (baita elogio).
Eu sou tão incrível e tão legal e tão maravilhosa e estou tão em paz comigo mesma que - veja bem! - até quero sair e encontrar quem me faz bem.


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E esse moço me faz bem. Esse moço eu consigo encontrar nos picos de ansiedade e nos momentos de calma e ele sempre vai me fazer bem. Ele disse que eu roubo as horas, que eu me alimento do tempo - porque toda vez que estamos juntos a hora passa muito rápido e a gente nem percebe. Eu sou obrigada a concordar.
Eu esqueço todas as pressões, todas as neuras, todas as coisas ruins quando estou com ele. Eu posso passar um dia assim, mas nunca vai ser suficiente. Porque o bem estar que eu sinto quando estou com ele é quase como o bem estar que eu sinto quando estou em paz comigo mesma, só que MELHOR, porque eu não estou sozinha. Eu nunca me sinto sozinha quando estou com ele - e o fato de que ele tem o maior abraço do mundo e ser 20cm maior do que eu, o que faz com que ele me "engula" no abraço, só o granulado nesse grande brigadeiro que tem sido estar com ele.
É nesse abraço confortável, quando eu estou de olhos fechados só sentindo o perfume natural dele, que eu consigo concluir que esse moço aumenta a minha felicidade.


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Eu sempre falei que gostaria de alguém que viesse me acrescentar um slot de felicidade, que chegasse num momento de equilíbrio quando eu estivesse muito bem comigo mesma a ponto de deixar alguém entrar na minha vida e ADICIONAR alegria, não ser a única fonte de alegria dela.
Esse moço é meu slot adicional. 
Eu não estou 100% bem - Tem dias que eu não chego a estar nem 30% bem - mas o meu amor próprio está ali, intocado, no meio dessa bagunça. Eu me amo o suficiente pra saber o que faz bem ou o que faz mal pra mim, e estou lúcida o suficiente pra saber que ele me faz bem. 
A parte mais gostosa é que ele sabe exatamente como eu me sinto, porque eu não tenho nenhum bloqueio pra contar pra ele (Terapeuta do capeta provavelmente estaria muito orgulhosa de mim). E ele entende as minhas dodoizices. E ele está lá por perto. Ele me conta as dele também, então estamos quites. A gente troca neuras e acalmamos os medos um do outro. A personalidade dele, tão diferente da minha, acaba me equilibrando (e espero que a recíproca seja verdadeira).
Ele fica por perto mesmo porque ele reconhece as mãos geladas, o sorriso nervoso, a fala rápida... E desarma todas elas, uma por uma, somente estando por perto e dizendo que vai ficar tudo bem - aliás, dizendo que JÁ ESTÁ tudo bem. Que é pra ter calma. E que ele vai ficar por perto, ou me dar o espaço que eu precisar (porque ele também precisa de espaço). E ele realmente fica por perto.
Como ele esteve por perto quando encontrei o filho do meu ex-chefe no shopping e fiquei tão abalada que chorei. Em público. E ele só me abraçou, ele só disse que eu sou linda, que eu sou forte, que ele respeita todas as minhas fraquezas e estará lá pra ser o meu ponto de força quando eu não puder ser. Quando eu pedi desculpas por ter chorado, por ter me colocado tão frágil na frente de alguém que eu mal conheço, ele disse que tudo bem, que não tem problema, que as coisas levam tempo mesmo e que eu não posso me cobrar demais. E disse que tudo vai ficar bem.


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E eu sei que tudo vai ficar bem. Mesmo. Porque, se eu olhar com calma, eu vou ver que as coisas já estão melhores.

Um comentário:

Cheshire cat disse...

Esse primeiro parágrafo sabe. Sobre ansiedade. O enjoo, a falta de sono, de fome. É assim que eu tenho vivido e nunca dei bola por achar que ansiedade de verdade tem essas crises no meio do caminho que eu nunca tive. Mentira, tive uma vez, mas associei apenas à bad do fim do casamento. Pela primeira vez eu enxergo com clareza.