quinta-feira, 20 de julho de 2017

Não sei se o poema é bonito, mas sei que preciso escrever

Embora eu esteja precisando de muitas  coisas no momento (um emprego e paz de espírito sendo as mais importantes), a que eu mais quero é conseguir voltar a escrever.
Deveria estar lá embaixo na lista de prioridades práticas da vida, mas não está. Porque escrever sempre foi pra mim uma válvula de escape, o pininho pra afrouxar a pressão da boia prestes a estourar, sabe?
Há um ano eu não consigo escrever alguma coisa que acho digna de ser lida e eu não tinha me tocado até pouco tempo o quanto isso me chateia. E olha, posso dizer que É MUITO. Hahahaha
Então eu vou voltar e peço paciência pra vocês, meus dois leitores, porque vai levar um tempinho até eu escrever com a mesma qualidade as babaquices de antes. Eu tô enferrujada, mas sei que NÃO ESQUECI como se faz. 

Até lá eu vou fazer uma coisa que eu não desaprendi e gosto demais: Uma lista.


LISTA DOS MEUS TEXTOS PREDILETOS PUBLICADOS NESSE BLOG (em nenhuma ordem particular)


O texto que eu escrevi para o moço que morreu, dizendo coisas que eu jamais tinha dito e agora jamais poderei dizer.



Um texto sobre os momentos em que eu percebi que estava apaixonada, ou que não ia dar em mais nada.



Se um cara por quem eu tô encantadinha me pergunta o que eu quero fazer.... Eu faço um texto pra ele. Simples assim.



Eu tive um relacionamento aberto e uma fase dadeira. Tomara que nunca mais aconteça.



Bom, até mesmo a música "dos homens" pode fazer a gente pensar um pouco em Deus, né?



Sim, eu sou bonita. Obrigada.



Uma lista de presentes que eu adoraria ganhar de aniversário.



Bom... Acho que esse título é meio óbvio (bônus: Tem uma foto minha quando criança super amedrontada perto de bonecas!).



Um post que tem como título Primetime, da Janelle Monae, certamente não deve ser lido por menores de 18 anos.



Um post sobre despedidas e sobre o quanto a gente não consegue gostar de quem a gente gostaria de gostar.



Tem gente que faz a gente escrever textos bons mesmo em momentos merdas, né?



Sobre a distância, sobre fins que não terminam como a gente gostaria e sobre as ideias que ficam bem no fundo da nossa cabeça.


A gente não pode cortar o pé só pra um sapato caber que nem as irmãs da Cinderella no conto original. Só que eu não tava falando de sapatos.



Óbvio que a ideia era furada, mas tão gostosos os papos de bar.

terça-feira, 18 de julho de 2017

No one knows this more than me 'cause I come clean

Eu passei um ano inteiro tomada por apenas uma angústia sem fim que me fazia ao mesmo tempo sentir tudo e não sentir nada. Era uma ansiedade fodida que me fazia dormir mal, comer mais do que eu precisava e chorar de desespero porque eu tinha que ir para um lugar com pessoas que me faziam mal e passar 10h do meu dia lá.
Eu sentia tudo e esse sentir tudo me impediu de sentir qualquer outra coisa. 
Dá pra entender?
É mais ou menos como se eu tivesse passado um ano inteiro com o nariz entupido e, a partir do momento que eu saí do emprego que estava me fazendo mal o meu nariz destampou e eu comecei a sentir um monte de cheiros que há tempos eu não sentia.

Eu sentia tudo - o que não me deixava sentir nada - e, quando finalmente parei de sentir, eu comecei a me sentir.... Estranha?

É esquisito e é um processo que eu ainda tô entendendo, porque na minha cabeça faz sentido e toda vez que eu tento explicar pra alguém é como se eu estivesse tentando ensinar física pra alguém. Como é que eu vou explicar algo que eu não sei?

É foda.




Quando eu parei de sentir a angústia de ter que ir para o trabalho e ser xingada, humilhada e desvalorizada constantemente eu meio que passei a me sentir ao mesmo tempo vazia e transbordada.

Vazia porque eu passei um ano me sentindo assim e não dá pra gente simplesmente desacostumar de um dia pro outro (embora a paz tenha sido quase instantânea quando eu pisei fora lá e soube que não precisaria voltar), e cheia porque eu vi o quanto eu negligenciei nesse ano que eu passei tão ocupada tentando me manter sã.

Eu não tenho amigos;
Eu tenho uma pilha de assuntos não inacabados;
Eu não tenho PACIÊNCIA com os outros (exceto com os que estão tão fodidos quanto eu);
Eu não tenho uma vida amorosa;
Eu não tenho uma vida acadêmica da qual eu possa me gabar, ou da qual eu goste de falar.
Eu não tenho vontade de sair e resolver nada disso, porque eu tenho a plena sensação de que é tudo uma perda de tempo sem volta.
Eu tenho uma familia que, ao mesmo tempo que é suportiva e tem sido o meu porto seguro nos momentos pesados, me cobra porque SABE que eu posso render. Eu não tenho nem como ficar brava com essas cobranças porque eu sei que eu poderia render mais também. Mas vou fazer o quê?

Eu não tenho a mínima vontade de fazer nada.
Tipo... Nadinha.

É como se tudo o que eu já tivesse feito anteriormente não tivesse a menor graça e tudo o que eu tento fazer sai errado, nada dá certo - o que é ridículo porque EU NÃO TENHO FEITO NADA.


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Respeitando as proporções, tô mais ou menos quando o primeiro namoro acabou.
Eu estava com o cara há tanto tempo, tinha feito planos tão longos que quando os planos se acabaram e eu não estava mais com ele me senti totalmente perdida. Sem rumo mesmo.
E apenas a terapeuta do capeta sabe o tanto de merda que eu fiz naquela época pra corrigir isso (e só acabei fodendo tudo ainda mais).

Eu tenho 27 anos, sabe? 
O tanto de potencial que eu tenho pro resto da vida, o tanto que eu posso fazer.... Não era pra eu estar assim.

E eu tô. Que bela merda.




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(mas nem tudo tá ruim e eu tenho umas coisas boas acontecendo também. É que a zica tem sono leve, então eu pretendo não falar muito do que tá rolando de bom... hihihi)



quinta-feira, 13 de julho de 2017

Liebster Award

Oi, gente, 'cês tão vivos? Eu tô! :D



A Natália do Lapsos me indicou pra minha primeira tag e eu vim aqui responder porque TAVA NA HORA DE EU VIR AQUI ESCREVER ALGUMA COISA, NÉ? Vou explicar o sumiço depois. Por enquanto fiquem com a tag :D


Como o bagulho não é bagunça, existem regras. Como EU sou bagunça, não vou cumprir todas.

1. Escrever 11 fatos sobre você;
2. Responder às perguntas de quem te indicou;
3. Indicar de 11 a 20 blogs com menos de 200 inscritos;
4. Fazer 11 perguntas aos blogs indicados;
5. Colocar o selo do Liebster award (Já tá ali em cima, ó que fofura ♥). 




~*~*~ 11 FATOS SOBRE MIM ~*~*~

1. Quando eu tinha uns sete anos a minha cachorra mordeu meu pulso. Eu, que tinha recém descoberto que as pessoas se matavam cortando os pulsos, saí correndo desperada gritando "VÓ, EU VOU MORREEEEEEEER, EU NÃO QUERO MORREEEEEEEEER". Nem sangue tava saindo. Minha cachorra era uma poodle;

2. Tenho uma cicatriz na axila direita de uma cirurgia pra retirar um cisto que eu fiz aos 13 anos. A cicatriz é enorme e não é bonita porque eu ignorei o tempo de recuperação e fui dançar quadrilha no meu ex colégio;

3. Meu primeiro beijo foi aos 11 anos - e eu só beijei o cara porque não queria ser a última das minhas amigas a beijar alguém. Foi horrível e não beijei de novo por um booooom tempo;

4. Uma vez eu quase me afoguei na praia porque meu pé ficou preso numas rochas e achei sinceramente que fosse morrer. Só não morri porque meu primo me viu pedindo ajuda e entrou no mar pra me ajudar. Minha mãe, que não enxerga bem e estava sem óculos na hora, me viu com os braços pra cima e achou que eu tava dando tchauzinho pra mostrar onde eu tava;

5. Tenho 27 anos e não faço IDEIA do que eu quero fazer da minha vida;

6. Eu faço praticamente tudo ouvindo música e, como não uso relógio, meço o tempo com música também. Por exemplo: Eu levava uma execução de Bohemian Rhapsody pra chegar no trabalho, quatro músicas da playlist de corrida pra chegar no lugar onde eu, de fato, começo a correr, o macarrão fica pronto (completamente, com o molho e tudo) praticamente ao mesmo tempo que eu termino de ouvir o Pleasant Dreams do Ramones e por aí vai...;

7. Sou filha única e considero os dogs de casa como meus irmãozinhos, embora eu não considere minha mãe uma mãe de cachorro e ache bem besta esse tipo de comportamento;

8. Eu já me vinguei de uma traição pegando o melhor amigo de quem tinha me traído;

9. A pior coisa que já fiz na vida foi fazer um cara babaca ficar de recuperação de matemática de propósito errando todas as questões de um trabalho em grupo que a gente fez juntos (porque o professor colocou a gente juntos pra eu ajudar o cara com as notas);

10. Eu comecei a repensar a ideia de ter filhos e isso tem me apavorado demais porque DEUS ME LIVRE;

11. Odeio dirigir, odeio pedir carona e acho que incomodo todo mundo quando alguém se oferece pra me pegar em casa pros rolês. 



~*~*~ PERGUNTAS DA NATÁLIA ~*~*~

1. Qual o seu CD preferido e por quê?

It won't be soon before long, do Maroon 5.

2007 foi o melhor ano da minha vida por um bilhão de motivos que um dia eu elenco. Esse CD foi lançado nesse ano e pelo menos uma música dele esteve presente em todos os momentos marcantes desse ano. Eu quase não ouço mais Maroon 5, mas ESSE CD é uma viagem a tempos melhores todas as vezes que eu escuto. É o único CD que eu tenho BAIXADO e NUMA PASTINHA no celular. Caso o Spotify dê ruim eu tenho pelo menos ele pra ouvir e tá tudo bem.

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2. Qual foi o momento mais vergonhoso da sua vida?

Difícil escolher um só já que passar vergonha é mais ou menos "my thing". Eu lembro de várias pequenas vergonhas, mas acho que não tive nenhum momento MAIS vergonhoso. Chorar meio bêbada numa calçada da Barra-Funda, na frente de uma padaria, porque eu queria gummy bears e eles não tinham, enquanto meu namorado da época gravava e dava risada é vergonhoso o suficiente? Ou entrar num banheiro masculino de um bar achando que era unissex e só perceber beeeem depois quando outra menina me pediu pra indicar o caminho e ai falaram PRA ELA que lá era o masculino?  Muitos momentos vergonhosos.

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3. Se um zumbi e um vampiro se mordessem simultaneamente, o zumbi se transformaria num vampiro ou o vampiro se transformaria num zumbi?

Então, acho que seria um baita desperdício de tempo e nada ia acontecer feijoada. Porque os dois estão mortos, né? Ia dar uma treta cabulosa e espero que um dia alguém faça um filme DRÁCULA X ZOMBIES porque certeza que eu veria. O monstro do Frankenstein é um zumbi? Daria pra fazer um Drácula x Frankenstein? Nossa, mano. EU SUPER VERIA ESSE FILME.
E não teria uma torcida definida porque gosto dos dois. ALOW HOLLYWOOD COPIA ESSA IDEIA PELO AMOR DE DEUS.


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4. Qual o seu Top 5 séries preferidas?
OPA, VAMOS LÁ.

1. Felicity;





2. Go On;



3. Seinfeld;




4. Dawson's Creek;





5. Master of None;




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5. E, o mais importante, qual o seu Top 5 memes?

1. Nada acontece feijoada



2. Nazareth confusa



3. Atá.




4. Busquem conhecimento



5. O Lula é bonito





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6. Se você pudesse trocar de lugar com qualquer pessoa por um dia, quem seria?

Rihanna. E se eu pudesse escolher o dia seria uma TERÇA FEIRA. 
Pra gente é só mais um dia bosta, mas pra Rihanna certeza que deve ser um dia muito louco.



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7. Você recebeu um superpoder e pode usá-lo durante 24 horas. Qual superpoder seria e o que você faria com ele?

Super velocidade. Eu conheceria o MUNDO TODO. 


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8. O que você faz pra superar bloqueios de criatividade?

Como eu faço com quase tudo na vida: Eu vou fazer outra coisa e fazer de conta que o bloqueio não está acontecendo. Aí ouço música, começo a falar merda com os amigos e eventualmente o bloqueio vai embora. 

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9. Se sua casa pegasse fogo, quais itens você salvaria (lembrando que você tem pouco tempo e todos os seus parentes/amigos/bichinhos de estimação estão bem)?

Levaria meu celular pra poder pedir ajuda, meu notebook (porque eu tô pra fazer o backup das coisas dele há um tempão e ainda não fiz, então seria legal pegar pra não perder os últimos dois anos da minha vida hahaha) e meus diários.


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10. Qual a maior lição que seus pais te ensinaram?

A sempre - SEMPRE - SEM-PRE - sEmPrE - pensar se gostaríamos que fizessem pra gente o que a gente tá pensando em fazer pro outro. Isso é bem amplo e envolve várias situações, então é a mais importante pra mim.


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11. Qual vídeo do YouTube você acha que todo mundo deveria assistir?

Sempre quando eu tô chateada eu assisto esse vídeo. Não é sempre que melhora, mas pelo menos um sorrisinho eu esboço.




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~*~*~ MINHA INDICAÇÃO ~*~*~

Gente, eu não conheço 11 pessoas, plmdds! Eu só vou indicar o Felipe do Não sei lidar, porque o Felipe eu não conheço pessoalmente, mas é tão incrível que eu adoraria! :D

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~*~*~ MINHAS ONZE PERGUNTAS ~*~*~

1. Qual a memória mais feliz que você tem?
2. Quem é atualmente o seu melhor amigo(a)?
3. Qual a maior mancada que você deu com outra pessoa na vida?
4. Qual seria a vingança perfeita pra alguém que tomou crédito por uma coisa que você fez?
5. Se você ganhasse um milhão de reais e tivesse que gastar em 24h com o que gastaria?
6. Você tem algum medo idiota?
7. TOP 5 aperitivos;
8. Prefere ver filme ou série?
9. Se você tivesse que me indicar uma música, qual seria?
10. Quais seriam suas férias ideiais?
11. Qual a diferença entre o charme e o funk?

terça-feira, 9 de maio de 2017

You know all you gotta do is tell me what you sippin' on and I promise that I'm gonna keep it comin' all night long

1. Tanta coisa aconteceu ao mesmo tempo em que nada aconteceu e eu ainda não decidi ainda se vale a pena contar tudo o que aconteceu ou fingir que nada aconteceu. Na prática dá na mesma;
1.1. É tipo ter voltado pra terapia, só que com outra terapeuta e agora enfrentando outro tipo de problema. É igual, mas diferente. Não sei explicar, só sei que é foda acordar antes das 6h toda quinta-feira. Eu já tava desacostumada.

2. Eu perdi contato com tanta gente que eu amo e a culpa foi toda minha, e eu tô tão cansada, tão exausta, tão sem norte que eu não faço ideia de como começar a retomar o contato. Aí o amor fica aqui, sabe? Meio guardadinho acumulado. Não sei lidar;
2.1. Foi tipo essa semana, quando eu falei com um moço com quem me envolvi (hmm) e as coisas acabaram de um jeito bizarro simplesmente porque eu estava cansada de ficar falando com a pessoa com um climão meio chato sendo que eu sempre tinha gostado de falar com a pessoa. Eu mandei um "Vamos fingir que nada aconteceu?" e a pessoa topou. Jogamos tudo pra baixo do tapete de forma mútua. É errado? Pra caralho. Vai dar ruim? Olha, possivelmente. Eu tenho forçar pra falar com a pessoa e acertar tudo do jeito certo? Não tenho. Não tenho mesmo. Não tenho nem disposição geográfica. PERDI a chance que eu tive porque eu tinha bebido, eu tava triste e tava com vergonha. A pessoa não quis também, então meio que empatou.
2.2. Obviamente eu não digeri bem essa história ainda.

3. 13 Reasons Why acabou comigo. De novo. Eu me iludi achando que, por eu ter lido o livro, não ia ficar chateada. Mas fiquei. É foda quando você se coloca no lugar de um dos porquês, né? Ninguém nunca se matou por minha causa (grazadeus), mas eu já fiz muita merda da qual me arrependo amargamente - e eu nem sei a extensão das merdas que eu fiz na vida de todo mundo;
3.1. Eu sei na vida de uma pessoa que hoje vem a ser minha amiga. E mesmo nos duas sendo amigas é meio difícil aceitar que eu já fiz tanta coisa errada pra pessoa. Bizarro.


4. Eu tenho pensado tanto em sexo que é até meio bizarro. Eu não posso nem falar que tô me sentindo meio adolescente porque quando eu estava na adolescência nem pensava tanto em sexo assim. Na adolescência eu tava apaixonada e queria casar. Ó as ideia;

5. Me sinto só - mas quem é que nunca se sentiu assim?
5.1. E me sinto bem feinha e indesejada também, o que também não é novidade, embora eu não tenha me sentido assim há muito, muito, muito tempo.

6. Dia 12 eu faço UM ANO nesse emprego que não é o que eu quero, mas é o que eu tenho no momento agora. UM ANO. Como é que minha vida foi sair tanto do trilho assim?

7. Eu gastaria bons dinheiros pra ficar 5 min num quarto isolado acusticamente gritando até perder a voz. Bons dinheiros QUE EU NEM TENHO, que é pra valorizar ainda mais a coisa toda;

8. A perspectiva de que, assim que meus pais morrerem, eu vou ficar totalmente sozinha na Terra tem me assustado cada dia mais. E eu descobri que tem muita gente que também pensa assim, o que me assusta ainda mais;

9. Emagreci 8 quilos (Tinha emagrecido mais, depois engordei de novo, aí agora emagreci de novo) e pra cada "Tá gata" e "Tá gostosa" que eu escutei tenho sentido vontade de responder com grosseria e contar todos os perrengues e motivos pra eu estar emagrecendo. Ou por eu ter tido enxaqueca e pico de PRESSÃO ALTA sendo que minha pressão sempre foi baixa. Ou por eu ter tido dois ataques de pânico na firma. Ou por eu só ter vontade de dormir e comer e assistir filme sozinha. "Tá gata, o que é que você tá fazendo pra emagrecer?" Tô fazendo a dieta do pão que o diabo amassou. Vai se foder.

10.  Apesar de tudo eu acho que estou no meu melhor momento desde pelo menos outubro do ano passado. Eu nem lembro em qual livro de jovem triste eu li isso, mas tem um lance de que nosso corpo não aguenta nem a dor extrema, nem o prazer absoluto, por muito tempo, então a gente meio que volta ao normal e se acalma um pouco quando estamos há muito tempo nos picos. Eu devo estar num desses momentos agora. E só posso agradecer que pelo menos a vontade de escrever e de trepar voltou.

domingo, 7 de maio de 2017

When you put it on me you relief my stress you got me so high takin' deep deep breaths

_Eu já começo te dizendo que foi o maior clichê do mundo, ok?
_Jura? Clichê? Você? Conta a novidade.
_A gente tava lá no sofá, sentadinhos e ouvindo música.... Eu mais deitada que sentada pra falar a verdade, porque eu tava com sono.... E ele tava lá no controle da música e fumando. O papo tava bom, a gente tava falando sobre música, eu falando da trilha sonora dos Guardiões, ele dizendo que ainda não viu o filme, eu ignorando e continuando a falar sobre Brandy, ou qualquer outra da trilha e-
_TÁ, TÁ.... Você sendo egoísta e ignorando o cara, ok. AVANÇA...
_Grossa...
_’Cê vai continuar? Se não for eu vou pegar outra cerveja.
_Pega uma pra mim também.
_Mas eu quero ouvir o fim da história.
_Ai, pelo amor de Deus, não é como se a sua cozinha fosse há três quilômetros e eu tivesse que esperar você voltar. Três passos, criatura. Pega a cerveja e volta!
_Você também quer, pega lá pra gente!
_A casa é sua!
_Eu tô deixando. Pega lá.
_Eu vou contar a história. E tô com preguiça de levantar.
_Olha, puta que pariu. Eu vou levantar e vou pegar essa cerveja e é bom essa história ser boa, porque EU JURO POR DEUS que você tá cada dia mais pior com essa preguiça.
_...
_Quer que eu abra a latinha?
_Faz a graça. Acabei de fazer a unha.
_Continua!
_A gente tava falando de The Chain! Era dela que a gente tava falando, não de Brandy. Ele não gosta de Brandy, eu não conhecia antes do filme... Óbvio que a gente não tava falando de-
_PELO AMOR DE DEUS, TENHA FOCO!
_Ué!
_Foda-se a música! Eu caguei pra música! Eu quero saber o que aconteceu depois que você foi pra lá! Se fosse pra falar de música a gente falava de música aqui, mulher!
_Mas é a música é importante! Tudo aconteceu por causa da música!
_Por causa de The Chain?
_Não, claro que não. Música triste da porra. Esse álbum inteiro é triste pra porra, imagina que merda se tivesse acontecido alguma coisa por causa de The Chain... “Se você não me ama agora nunca vai me amar de novo” caralho, que tristeza....
_Não foi por causa de The Chain?
_Não!
_Então porque você ainda tá falando dessa merda de música? Pula logo pra parte que importa!
_Não é uma merda de música, porra! É só triste, não tem nada a ver com ela e ainda bem que não teve, porque é triste pra cacete.
_Você fala como se eu me importasse.... CONTA A HISTÓRIA LOGO, PULA ESSA PARTE!
_Onde eu parei?
_Sofá. Maconha. Sono. Música. Mas pula a parte da música, eu não ligo.
_A parte da música é importante!
_Qual música?
_Então... A gente tava ouvindo a trilha de Guardiões, ele disse que não é melhor que a do primeiro e eu argumentei contra falando que dei uma choradinha quando tocou “Father and Son”, o que eu não lembro de ter acontecido no primeiro filme em nenhum momento.
_Uau, baita papo. Onde é que termina a parte triste e começa a parte onde vocês tiram a roupa e transam enlouquecidos no chão da sala?
_A gente não transou enlouquecidamente no chão da sala. Pelo amor de Deus, a sala dele é minúscula, nem dá pra ficar no chão.
_Amiga...
_Oi?
_Avança. Não se prende nos detalhes.
_Tá. Eu falei de Father and Son, e aí a gente falou que a trilha desse filme tá bem mais triste que a do outro e aí a gente teve que mudar o assunto, porque ele ainda não viu o segundo, né? Só vai ver pro meio do mês....
_Hã...
_E aí deu fome. Ele tava fumando, né? A gente deveria ter previsto. Fomos pedir pizza. Menina, maravilhoso esse Ifood, né? DUAS DA MADRUGADA E A GENTE RECEBENDO PIZZA EM CASA sem ter que falar com ninguém sobre isso.
_Bom, nem comigo você precisa falar da pizza. Eu vivo no mesmo século que você, sei como o Ifood funciona.
_Desculpa, eu me empolgo.
_Tá, tá... Comeram pizza, depois ele te comeu... E aí?
_Bom, você dizendo assim foi basicamente isso. A gente comeu pizza, depois a gente transou, eu dormi, ele dormiu depois e aí eu acordei e vim pra casa.
_TÁ, MAS COMO?
_Ah, uma coisa bem hétero e careta, sabe? Três da madrugada, eu tinha passado o dia na rua...
_Aff. Não é isso. Como é que vocês pularam de músicas tristes pra sexo triste?
_Tesão, oras.
_...
_Você disse que não era pra eu enrolar e que não era pra falar da música. Então, sem enrolar e sem falar da música foi basicamente isso. A gente comeu, ele me comeu, depois a gente dormiu.
_Aff.
_Ué.
_Meu Deus, você tá me sacaneando de propósito! Conta da música.
_Foi clichê, você vai ficar puta.
_EU NÃO VOU FICAR PUTA. NÃO TEM COMO, PORQUE EU TÔ SEMPRE PUTA. EU SOU TIPO O HULK DA PUTARIA.
_...
_...
_Ok, isso não soou exatamente como eu gostaria.
_É, mas foi legal. Hulk da putaria é um conceito interessante, você deveria trabalhar nisso...
_...Eu não vou. Continua.
_...A gente voltou a falar da trilha do primeiro Guardiões, né? E tem Hooked on a Feeling nela, que é uma das músicas mais gostosinhas pra ouvir quando a gente tá naquele climinha gostoso de paixonite.  A gente começou a falar de músicas pra momentos. E aí o papo descambou pra sexo, claro.
_Claro. Com você sempre acaba em sexo.
_Talvez EU seja o Hulk da putaria.
_Não... Não... Só para. Não é legal. Continua.
_Hahaha... Então... A gente tava discutindo sobre música na hora do sexo. Eu, como você sabe, acredito que não precisa. Ele acha que não é necessário, mas melhora o clima. Ai ele descobriu a playlist.
_Qual?
_“A” playlist.
_Putz...
_É. Ele tava mexendo no Spotify esse tempo todo, aí abriu o meu perfil e tava lá. Ele olhou e trucou, né? “Se não precisa, porque é que tem uma playlist pra derrubar a calcinha?”
_Ele falou do nome, mas não falou nada da foto?
_Não.... Olha.... Não falou mesmo. Que bizarro. Ele nem parou pra pensar se era meio irônica a foto... Só falou do nome, e aí foi falando da lista das músicas.
_E aí você fez o quê?
_Bom, aí eu tive que tentar explicar que focinho de porco não é tomada, né?
_Há! Expressões de vó.
_Total.
_Mas e aí?
_Expliquei. Eu falei que essa playlist é pra melhorar O MEU humor, ANTES até mesmo de um encontro onde eu acho que vai rolar sexo.
_É meio bizarra essa explicação.
_Bom, mas é verdade, né?
_Bem bizarra.... Mas continua.
_Aí ele ficou interessado, é claro. E perguntou se eu tinha escutado antes de ir pra casa dele.
_OPAAA!
_E aí eu falei que não.
_Porra!
_Mano, eu nem tava em casa, né? Eu tava fazendo outra coisa, outro clima, outras pessoas. Eu não ia ouvir música pra ficar com tesãozinho onde eu tava.
_Haha... Até porque com o tanto de ex lá ia dar meio ruim. Hahahaha
_Há. Sem graça. Eu falei que não tinha escutado, ele meio que fez um “Orra!” e eu dei de ombros. Aí nessa hora a pizza chegou e ele foi receber.
_Timing, né?
_Eu disse que era clichê.
_E aí? Como é que você trepou? Ficou climinha chato?
_Enquanto a gente comia eu botei “A” playlist pra tocar no aleatório.
_Hmmm...
_Eu comi um pedaço, ele deve ter comido uns quatro. Imagina a merda.
_Hahaha... Melhor não. Eu nunca sei se você tá falando de merda literal, eu não aguento mais histórias de relacionamentos de merda.
_Ah, a gente tem que falar disso também! Mas não agora. Agora é a parte do clichê.
_Hã. Conta.
_Ele tinha comido metade de uma pizza, né? E fumado. E eu tava com sono. Eu achei sinceramente que eu ia pegar um Uber pra casa e voltar e dormir na minha cama. Mas aí.... A playlist agiu, cara. A playlist agiu.
_Ahã. Tá que foi a playlist.
_Foi. Foi sim. Ele tava lavando a louça, eu tava no sofá meio jibóia prenha pós janta e aí começou a tocar “Make it chu”  e ele parou e disse que eu era um baita clichê, que minha playlist de dar tesão era um baita clichê. E eu fiquei meio ofendida.
_Ah, você? Ficar ofendida por coisa babaca? Não creio.
_Fiquei, meu. Fiquei mesmo. Eu disse que era um clichê! Era uma playlist pra me botar no humorzinho, é lógico que tinha que ter uma cota de clichê. As músicas que são conhecidas como trilha sonora de motel vagabundo servem pra dar aquele start no cérebro e a gente saber que vai tocar.  Mais clichê que isso só se eu botasse o vídeo da Vani, mas eu não quero gastar dados com um vídeo do youtube, a playlist o Spotify me deixa baixar.




_Aff. Você é muito ridícula.
_Nunca falhou.
_Com você!
_É PRA MIM A PLAYLIST. Eu nunca tinha escutado com ninguém antes.
_Porque é clichê pra caralho, né? Gente que tem playlist pra transar NÃO MERECE transar.
_Me deixa.
_Bom, eu deixo. E aí? Como é que você transou e não voltou de Uber no meio da madrugada pra dormir em casa?
_Por causa dos clichês. Eu já disse. A playlist continuou rolando enquanto ele falava que eu era clichê e lia as músicas. Blondie, Santana, Nine inch Nails...
_...Todos os clichês.
_Yep. Todos. E aí ele tava brincando porque eu coloquei todos os clichês, e foi chegando cada vez mais perto... E quando tava no meio de Gorilla a gente já tava se pegando no sofá. BANG BANG GORILLA.
_Clichê.
_Pra caralho.
_Bom, parabéns. Você transou. Mas a música não teve nada a ver com isso, né? Ele estava TE ZOANDO por causa da música. E vocês já tavam no clima tesãozinho, não ia precisar da música. Eu aposto que ele nem se tocou da música quando começou a te pegar.
_Há. Aí é que você se engana. A gente começou a se pegar enquanto tocava Gorilla, e no meio de Demons eu já tava com o capeta no corpo...
_Nem pra você botar uns prog pra durar uma hora o lance, né?
_Aff.
_Bom, até agora eu não saquei como me enganei. Até agora só deu pra sacar que você tava medindo a duração da foda com música, que nem faz quando vai tomar banho e não pode passar de uma música a duração por causa do desperdício da água.
_Não tem a ver com o tempo, porra. Foi o ritmo. Eu finalmente saquei uma utilidade pra música no sexo. É o ritmo. A gente tem que abstrair e ao mesmo tempo focar. É um bagulho louco. Eu não sei explicar, mas ele sentiu porque a gente falou disso depois.
_Você sai com uns caras muito estranhos.
_Até saio, mas tem nada a ver dessa vez. Aqui a estranheza ficou por conta DO CLICHÊ QUE FUNCIONOU. Eu transei por causa da minha playlist de derrubar calcinha!
_Lógico que não, porra. Deve ter batido um vento sul ali, te despertado e você partiu pra cima. E ele é um cara, se você encostou na coxa dele provavelmente já tava no clima pra sexo.
_Quatro fatias de pizza.
_Nunca impediu ninguém. Você só correu o risco dele MORRER, né? Congestão. Só faltava isso.
_A gente deu um tempo, ok? Ele lavou a louça, a gente ficou vendo a playlist... É por isso que eu sei que foi a playlist.
_Você tá doida. Porque você só não aceita que foi tesão e pronto? Você também acha que playlist pra sexo é besteira.
_Amiga, acredita em mim. Foi a playlist.
_Bom, eu acho que não.
_Mas foi.
_Por que você me diz isso?
_Você vai ter que acreditar em mim.
_AH! O QUE ACONTECEU? ACONTECEU ALGUMA COISA, NÃO ACONTECEU? O QUE ACONTECEU! FALA! FALA! FAAAALA!
_Uma dama não comenta.
_Teu cu que não. Você contou a história toda até agora e tá doida pra contar o resto. Conta de uma vez.
_Não, que horror.
_Eu poderia fazer uma lista das histórias de terror que você já me contou sobre a sua vida amorosa aqui e você nunca se preocupou com isso antes.
_Você é minha amiga.
_Sou, porra! Que pergunta idiota! CONTA LOGO.
_Foi clichê. Foi ridículo. Eu curti. Eu tô com vergonha.
_Aff, fala logo.
_Eu sei que foi a playlist porque lá pelas tantas, antes da gente sair do sofá e ir pra outro lugar, ele meio que sacou a coisa do ritmo.
_Não entendi.
_Bom, tava tocando “Fade” e ele meio que começou a fazer... As coisas... No ritmo...
_Quê?
_Você sabe, meio que sincronizando com a percussão da música.
_...
_É, eu sei. Deu pra sacar porque tava muito sincronizadinho.
_Aff... Meu Deus, deveria estar bom pra caramba pra vc se tocar disso, né? Você tava pensando nas contas pra pagar, aí PÁ: Sincronizou com a música. Mais um motivo pra não ouvir música.
_Eu sei, eu digo isso. Eu acredito. Mas tava.... BOM.
_Aff. Eu não quero saber mais.
_Ok. Eu só precisava contar.
_...
_...
_Eu nunca vou poder ver esse cara, você sabe, né?
_É. Imaginei.
_Mas você sabe o porquê?
_Pelo mesmo motivo que eu jamais poderia ver o seu cara caso você me contasse algo do tipo.
_Eu vou imaginar o cara mexendo o quadril no ritmo de Fade toda vez que a gente se ver.
_Desculpa...
_É, ok. Pelo menos não teve merda dessa vez.
_Ah....
_O quê?
_Bom, quatro pedaços de pizza, né?
_AH MEU DEUS!



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Esse post é pra dizer que eu amo a irmã do Pirituba e amo o quanto ela escuta minhas histórias sem julgar (muito) ♥ Ele pode (ou não) ter sido baseado em uma conversa que a gente já teve em algum momento desses quase SETE anos de amizade. 
E não, não teve cocô de novo. Ufa.


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto: Eu tô voltando

Eu vim aqui porque queria postar um negócio triste sobre o-cara-que-morreu, o aniversário que passou e a coisa meio bizarra de terem tornado a página do Facebook dele em um memorial onde as pessoas podem escrever coisas pra ele, ou sobre ele, e compartilhar momentos e blábláblá.
Eu vim aqui porque eu vi a foto dele no Instagram, aí fui ver a página no Facebook porque eu não lembrava se tinha excluído e, bem, não excluí.
Tá lá ainda.
Eu provavelmente nunca vou excluir, e essa é uma parte bem masoquista minha.
Eu quase nunca penso nele, mas quando eu penso é sempre com uma pontinha de saudade e dor e talvez arrependimento.
Quase nunca, mas quando eu penso é... Complicado.
Tipo agora.

Eu vim aqui porque queria escrever AQUI o que eu jamais escreveria no mural do memorial do Facebook por muitos motivos (sendo "eu não quero" o principal deles), mas tudo acabou meio que perdendo o sentido porque, sinceramente, tanto faz. 





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Saudade é um bagulho muito louco porque quando dá é sempre com os dois pés no peito de uma vez, né? Aff.



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Sei Mais do que eu quis, mais do que sou e sei do que sei

Tem o meu trabalho, né? Que eu já disse que é uma bosta e da qual eu não posso me livrar até arranjar outro, ou o meu pai conseguir se aposentar oficialmente - O que acontecer primeiro.
Tem isso, eu já disse.
Já disse também que meu chefe é possivelmente uma das piores pessoas com quem eu já tive que conviver. Nada disso é novidade.
Mas eu deixei o tempo passar e fiquei procrastinando pra falar sobre isso porque é uma situação pesada e, se eu puder NÃO PENSAR/FALAR/LEMBRAR DA EXISTÊNCIA quando estou fora da firma é isso o que eu vou fazer e quero ver quem é que vai me obrigar a fazer o que eu não quero (tirando, é claro, continuar nesse trampo pelos motivos já citados aí em cima).
Eu enrolei pra falar e agora eu acho que tenho uma nova visão sobre a situação toda.
Posso ir do começo? Vocês se sentem de um jeito confortável aí enquanto vão lendo isso porque é um DAQUELES TEXTOS que eu sei como começa, mas não faço ideia de como vai terminar.
Vamos lá?


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2016 foi esse grande cocô mole com restos de milho em 8 de 10 aspectos da minha vida, incluindo o trabalho. O que começou como um ano promissor num trampo que eu tava curtindo terminou com a grana contadinha no.... bem... lugar que eu trabalhando.
Aí teve todo o choro, todo o ranger de dente, todas as vezes em que eu me peguei totalmente chorosa e incapaz de reagir coerentemente a uma situação simples que em outras épocas eu teria tirado de letra.
Na quinta feira da semana do meu aniversário (dia 22 de dezembro, se eu não estiver enganada e não vou confirmar agora se estou ou não) eu fui, como quem não quer nada, na terapeuta que trabalha pro-bono no centro espírita que meus pais frequentam. Eu fui como quem não quer nada mesmo, porque eu fui lá pra fazer outras coisas e, coincidentemente, ela estava lá ao mesmo tempo que eu e tinha um horário livre. Eu fui pra ver como era só (e porque eu tava num nível de choro e autopiedade que estava ME irritando) e saí de lá com outro clima. Foi bizarríssimo.

Basicamente a mulher que tinha acabado de me conhecer (e me viu chorando de boca aberta apenas após me dar OI. Sério. Eu entrei na sala dela, ela disse "Oi, Beatriz, boa noite!" e eu COMECEI A CHORAR. Olha o nível) me disse coisas que a mulher com quem eu estava me consultando há A-N-O-S vinha me dizendo há anos. 

E aí eu saquei que 2016 estava terminando com uma BAITA CHANCE pra eu encerrar os rolos que eu tinha começado há anos atrás. O fato de que o meu chefe me desestabilizava a ponto de me deixar totalmente inofensiva e frágil e vulnerável e chorosa como eu não ficava desde antes da morte da minha avó era só mais uma chance de eu lidar com o meu bom e velho medo de demonstrar sentimentos porque isso me deixa vulnerável.

Eu aceito isso, é claro, mas eu acho que se A VIDA/DEUS/O DESTINO ou qualquer outra força cósmica estava interessada em me dar uma prova bem que poderia ser uma mais fácil e que não envolvesse assédio moral. Eu ia aprender do mesmo jeito. Enfim....

Meu chefe e eu temos isso em comum. A coisa de não demonstrar sentimentos, eu digo. Claro, a gente demonstra de jeitos diferentes (eu faço piada, ele humilha os outros), mas é basicamente a mesma coisa. O homem acha que, caso baixe a guarda e seja LEGAL, o mundo vai cair e as coisas vão sair do controle dele. É foda, cara. Eu não posso falar muito sobre o meu chefe sem expô-lo aqui (e não é porque ele é um grandecíssimo pau no cu que eu preciso ser também), mas fazendo um esforcinho e exercitando a empatia dá pra entender o porquê dele querer tanto o controle e ficar tão puto quando perde.

Eu nem preciso exercitar MUITO a empatia, na real, porque eu sei exatamente o quanto é horrível perder o controle das coisas.
Eu perco o controle das coisas e largo uma faculdade no penúltimo ano porque não é minha praia.
Eu perco o controle e rio de um pedido de namoro sério.
Eu perco o controle e perco, na mesma tacada, minha melhor amiga e meu namorado (?)
Eu perco o controle, me apaixono, decido me jogar de cabeça e aí o cara vira monge.
Eu perco o controle, faço uma loucura por conta dos hormônios e aí uma cagada (risos) bota tudo a perder.
Coisas ruins acontecem quando eu perco o controle da situação e demonstro o que eu sinto. Eu tenho um puta histórico.
Então eu simplesmente me fecho, deixo pouquíssimas pessoas entrarem na minha vida e mantenho tudo sob controle. É assim que eu quero que seja, mas não é assim que deve ser.
Eu sei disso, mas é TÃO DIFÍCIL!
 É tão COMPLICADO não deixar as coisas "ruins" que me aconteceram definir o que eu sou e o que eu quero ser. É tão DIFÍCIL confiar nos outros e quase impossível DEPENDER dos outros.
Mas no man is an island, né? Eu não posso fazer isso comigo mesma e me limitar a perder as pessoas e as situações simplesmente porque alguém, no passado, me deixou vulnerável quando eu demonstrei meus sentimentos. 
Não posso e tô decidida a não deixar mais.
Eu sei que já falei isso umas quinhentas vezes (viu, Terapeuta do Capeta?), mas sei lá... AGORA VAI, PORRA.
Eu consegui achar uma coisa boa no meu chefe ser um babaca, vejam só vocês.
Eu não vou deixar o fato dele ser um babaca me afetar MAIS do que já afetou. 

É um trabalho, é o que eu faço pra pagar minhas contas, é um trampo honesto e estou fazendo isso pelos meus pais e vou fazer do melhor jeito possível porque é assim que eu sou. Se tiver um cara babaca no caminho, paciência. E paciência MESMO. E força pra superar tudo.

E muito, muito, muito amor ao meu redor pra eu conseguir segurar essa barra. 
Porque eu cansei de bancar a valente independente e tentar manter tudo sozinha. Eu não consigo e não quero mais gastar energia tentando.


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E é aí que começa a coisa toda porque, vamos lá (de novo), no man is an island. E então eu decidi que vou fazer, pelo menos uma vez por mês, um post pra alguém que eu amo ou que é importante pra mim. Eu vou fazer mais do que isso, claro, vou demonstrar pra todo mundo que é importante o quanto são importantes. Mas é isso que eu faço e gosto de fazer: Escrever.
E eu gostaria que escrevessem pra mim, então tô fazendo ao próximo o que gostaria que fizessem pra mim (?). Vale, né?
Então eventualmente eu vou distribuir amor gratuito. Porque sim.
Porque as pessoas que me magoaram e me fizeram perder a fé nas coisas importantes não vão ter mais a importância que eu tava dando pra elas na minha vida. Esse lugar vai ser pra quem EU QUERO BEM E ME QUER TAMBÉM.
Chega. Vamos deixar 2016 e tudo que veio antes pra trás.


(eu ainda vou falar do meu chefe, mas não agora)