domingo, 31 de julho de 2016

quinta-feira, 21 de julho de 2016

(13 de julho de 2013) Ainda me lembro de tudo o que eu quero esquecer

Em 2013 eu li "O Lado bom da Vida" e devo confessar que fez muito sentido pra mim.



Depois do meu primeiro namoro, aquele com o cara com quem eu fiz planos de casar, fiz uma casinha no The Sims e mostrei pra ele (estudante de engenharia civil) pra falar como eu queria que fosse a nossa casa e todas essas babaquices que só gente que se apaixona e acha que vai se casar antes dos 20 anos faz, eu me tornei meio cínica e cética com relação aos romances em geral.
Esse "No fundo eu sou otimista, mas eu sempre imagino o pior" é basicamente sobre essa minha postura de saber que as coisas acabam e torcer pra que elas acabem do jeito menos merdoso possível.

#meujeitinho

Daí que isso foi em 2010 e em 2011 teve o Pirituba, que foi um "meio namoro" - já que rolava uma fidelidade, mas não o rótulo de namoro (eu fui do ponto de acreditar em casamento antes dos 20 anos ao ponto de acreditar que todo mundo ia morrer sozinho mesmo, foda-se, vamos zoar essa birosca toda em pouquíssimo tempo, foi uma loucura) e ele nunca foi apresentado aos meus pais como meu namorado. Acabou, é claro, porque tudo o que é feito pela metade e nas coxas não pode ter um resultado bom. Depois teve o 9inho (e não lembro, sinceramente, se já falei dele aqui), que me fez entrar ainda mais nesse lance de "foda-se, vamos zoar essa birosca toda" e depois 2012, o ano das mudanças e das viradas (e meu mini período de isolamento).

Ai que em 2013, já na nova graduação, já marromeno estabilizada e apenas levemente abalada por causa de uma confusão de sentimentos (uma paixonite por um amigo que ficou mal resolvida e outras coisas que eu não contei aqui no blog porque sim), me surgiu a FOSSA NÚMERO 2

Esse moço, gente... Esse moço eu poderia falar TANTO sobre ele, TANTO sobre a história TANTO sobre o quanto ele me fez ficar descontrolada em tantos aspectos numa fase em que eu tava só o título de um capítulo do "O Lado bom da Vida" - mas não vou perder tempo contanto essa história que eu ainda não posso contar inteira.

Basta vocês saberem que o fato dele ter a risada mais agradável do mundo, o beijo mais gostoso da região de São Carlos e ser lindo feito uma versão baixo orçamento do Bradley Cooper me balançou de um jeito que eu voltei a ter certa esperança em relacionamentos.

Meu Deus, como era bonito o filho dum cu. Isso é revoltante.


Eu tava errada, né? Se eu tivesse prestado atenção no Belchior (ou na irmã do Pirituba, minha amiga psicóloga) teria sacado na época que o amor é uma coisa mais profunda que um encontro casual... Mas eu foquei mais na parte de deixar a profundidade de lado e querer ficar colada à pele dele noite e dia, fazendo tudo e de novo dizendo sim à paixão e tomei bonitinho no cu quando as coisas deram errado.

Paciência. O ponto dessa história foi o dia em que eu FINALMENTE saquei que tinha tomado no cu. De novo. Mais uma vez.

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10 de julho de 2013 caiu numa quarta.
Eu estava há uma semana sem receber notícias nem do meu (até então) pseudo-namorado e da minha (até então) melhor amiga. Nenhum dos dois, morando em São Carlos, falava comigo ou respondia as minhas mensagens e eu não fazia a mais puta ideia do porquê. Eu tinha tentado, em vários momentos durante esses dias, mandar mensagens, recebia a confirmação de leitura e nenhuma resposta. Eu tava bem puta da vida. BEM PUTA, mas jamais tinha passado pela minha cabeça que a razão porque eu estava sendo ignorada pelos dois era o motivo que foi (talvez vocês tenham suas teorias e talvez elas estejam certas). Até 10 de julho de 2013.

Eu tava na USP, num dia que tinha tudo pra ser comum, quando ouvi duas meninas na fila do bandejão comentando sobre o fato de que uma delas tinha sofrido o famoso ghosting. E cara, aquilo foi tipo um TESTE CAPRICHO da vida real pra mim. A mina ia contando a história e eu, atrás dela, só ia marcando X nas coisas que estavam acontecendo comigo. 

Eu gabaritei a porra do teste e finalmente a ficha caiu e nem o famoso strogonoff de pombo do bandejão me animou. Eu larguei a fila, peguei o primeiro ônibus que passou (e fui parar bem longe de casa, porque não era o meu ônibus, daí tive que ir até o metrô, o trem e depois pegar outro ônibus, puta volta, puta que pariu) e, depois de ter vivido quase todas as fases do luto dentro do transporte coletivo de São Paulo, mandei uma mensagem pra Carregada (minha outra melhor amiga, a de São Paulo) perguntando se a gente podia se ver depois do trabalho. Ela topou, é claro. Amiga maravilhosa.

Daí passei no mercado, comprei uns doces e fui lá pra casa dela, disposta a falar mal do Bradley Cooper fajuto até a raiva passar. Cheguei na casa dela, trocamos meia duzia de amenidades, falamos algumas baboseiras e eu comecei a contar sobre as meninas do bandeijão. E minha amiga (grande amiga, amiga maravihosa) foi fazendo o que as amigas fazem e lembrando de coisinhas que eu tinha contado, coisinhas que ajudavam a comprovar a teoria.

E aí foi que o barraco desabou.

Eu comecei a chorar. Chorar muito. Chorar de boca aberta. Chorar de um jeito que eu não tinha chorado (em público) desde o funeral do meu avô (incluindo aí ohos secos no funeral da avó, no fim do namoro, quando o Palmeiras foi rebaixado - duas vezes - e outras situações que poderiam finalmente descambar em choro de boca aberta na frente de conhecidos) e, por isso mesmo, um choro que eu tava guardando desde 1998.

Foi lindo.

Menos pra Carregada que ficou sinceramente assustada comigo totalmente descontrolada sentada na cama dela e chorando - coisa que ela nunca tinha me visto fazer, nem por coisas muito mais sérias. Carregada também tem essa coisa de não saber demonstrar muito bem as emoções (e por isso que a gente se dá bem), então era uma destemperada chorando e uma em modo tela azul sem saber o que fazer. Eu só parei de chorar quando prestei atenção na cara dela e percebi que ela não sabia MESMO o que fazer comigo ali - e parei de chorar pra rir histericamente, o que também não foi muito legal.


Quando eu finalmente consegui me acalmar, uns 10 minutos depois (ou 1h, vocês nunca saberão), a gente comeu uns docinhos e eu fui embora pra minha casa, bem mais tranquila, porém ainda bem cabreira com a situação toda.


13 de julho de 2013 caiu num sábado.
Eu tinha voltado ao meu estado natural de "gracinhas e piadinhas sobre minhas desgraças" e publiquei alguma coisa no Facebook fazendo gracinha com um amigo aleatório do twitter que tinha caído naquelas páginas "Melhores tweets no facebook" ou equivalentes. E a amiga que estava sumida postou uma coisa SUPER mal educada nos comentários, dando uma indireta que eu entendi que era sobre o meu "relacionamento" com o Bradley com restrições orçamentárias. E o filho da mãe CURTIU o comentário.

E foi ali, somente ali, por causa de uma curtidinha passivo-agressiva num comentário totalmente agressivo e em público, que eu saquei que não tinha volta. Nem o namoro, nem a amizade, nem possivelmente a minha confiança em homens, mulheres e seres sencientes. Em 13 de julho eu não chorei - eu gastei todo o drama, mas saquei que as coisas seriam diferentes - e iam precisar mudar MUITO pra ficarem de um jeito satisfatório.

Olhando em retrospecto eu hoje sei que aquele comentário rude foi o começo de uma mudança (pra melhor, eu creio) que cresceu em forma e deu resultados principalmente quando eu fui pra terapia. E foi ali, entre 10 e 13 de julho de 2013, que eu reconheci DE VERDADE os meus amigos. Não era amiga a moça que só me procurava pra falar de coisas erradas que tinha feito porque "eu não ia julgar". Não era amigo o cara que era lindo feito o Bradley Cooper, me beijava de um jeito que me deixava sem conseguir raciocinar por alguns minutos, mas não era capaz de ceder em NADA pra ficar comigo. Mas era amiga a moça que me recebeu em casa no meio da semana, depois do trabalho, me ouviu reclamar e me viu chorar de boca aberta, tentando me acalmar e botar pra fora tudo o que eu tava sentindo, mesmo sendo possivelmente uma situação muito estranha pra ela. Era amigo o cara que, naquele final de semana, pegou a mim e a essa amiga, e nos levou pra fazer um rolê cilada qualquer só pra eu não ficar em casa me roendo de raiva. Era amigo o moço que, mesmo estando há quase 1000 km distante de mim, tentou de todos os jeitos saber como eu estava e se eu precisava de alguma coisa, e me ouviu falar sobre o quanto eu estava destroçada sem fazer nenhuma piadinha sobre isso. Foi amiga a moça terapeuta que, mesmo tendo me avisado um milhão de vezes o potencial de cilada dessa relação, não disse "eu falei, né?" nenhuma vez e se preocupou genuinamente com o meu bem estar mental.

Eu perdi uma "melhor amiga" e um "namorado", possivelmente perdi um pouco a dignidade por ter sido ranhenta e chorona na frente de uma amiga, com certeza perdi um pouco da minha fé na humanidade... Mas eu só continuei de pé, só não me mandei pra uma caverna, só não meti o pé e rompi todos os laços de vez porque eu tive ao meu lado essas pessoas maravilhosas que eu até hoje chamo de amigos e que me fizeram superar o golpe tão tenso que o 13 de julho de 2013 me deu.


Eu guardo pouca mágoa dessa história, sendo TOTALMENTE sincera e espero que os dois envolvidos estejam muito felizes onde quer que estejam. Espero mesmo. De verdade. Porque eu tô.
Ao mesmo tempo em que eles me causaram uma dor terrível me mostraram quem são as pessoas que estão comigo pra segurar o rojão. E hoje eu já até choro na frente dos outros se eu achar necessário, ó que evolução!

Mas muito bonito mesmo o babaca. Puta merda.




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UPDATE: Gente, foi 2013. Essa merda de postar sem revisar ainda vai me causar inconvenientes. Hahahaha

terça-feira, 19 de julho de 2016

Sometimes it's hard to keep on running



Eu tenho picos de energia onde eu simplesmente não consigo ficar quieta no meu canto sem fazer nada. Eles vem do nada e vão embora do nada, eu geralmente não consigo prever e muito menos controlar. Sempre foi assim desde que eu me entendo por gente e acho que vai ser pra sempre. Quando eu terminei o meu primeiro namoro, lá em 2010, eu comecei a gastar essa energia sendo djóvem clichê: Saindo sexta feira de casa, me acabando de dançar na rua e voltando totalmente morta pra casa. Foi uma boa época e teria dado muito certo se eu - no fundo - não odiasse ficar fora de casa a noite.
Daí que lá pra 2011, quando eu já tava "sossegada" e num relacionamento marromeno estável (embora informal) com o Pirituba, eu comecei a procurar atividades pra gastar meu tempo elétrico.

E fui pra Yoga.

Eu queria ficar calma, eu queria fazer alguma atividade física, eu queria ser capaz de fazer algumas coisas com meu corpo que seriam interessantes pra minha nova vida de solteira e a Yoga parecia uma atividade que preenchia esses requisitos. Então, munida da minha carteirinha do clube, fui fazer uma aula de yoga.

No primeiro dia o "professor" implicou com minha respiração e disse que eu não sabia respirar - e, vamos combinar, se eu não soubesse MESMO respirar eu não teria vivido 26 anos nessa indústria vital - o que me deixou bem cabreira, porque... Né? Rapaz, não saber respirar é de uma incompetência ímpar.
Daí depois que eu aprendi isso (e, juro pra vocês, não foi tão fácil quanto eu esperava - mas isso provavelmente foi culpa também da minha dificuldade em aceitar que eu não sabia fazer um negócio tão básico e vital. Se eu tivesse sido mente aberta teria sido mais fácil!) as coisas ficaram melhores porque o resto é tudo questão de alongar, respirar, ficar uns segundinhos numa posição incomum e pá: Relaxamento, estralinhos pelo corpo e aquela sensação marota de que, caso você precise, saberá fazer algumas coisas sem sentir dor depois. Muito útil.

PORÉM...

Eu não tava acalmando. Eu não tava gastando minha energia acumulada. Eu não tava nem conseguindo botar minhas mãozinhas no pé estando em pé com as pernas totalmente esticadas - e talvez por isso eu não tava acalmando, aff.
E aí eu parei (por isso e porque decidi largar a faculdade de História e prestar vestibular de novo, né? Mas aí é outra história).

Nesse período eu tentei: Boxe, muay thay, aulas de forró, aulas de desenho e nada. Já tava achando que somente futebol, praia e F1 me dariam a tão necessária paz de espírito pros dias de pico de energia.


Eu comecei a correr em 2013, quando comecei a trabalhar na Cidade Universitária da USP e passava o dia inteiro lá, meio período trabalhando, meio período sem fazer nada e, à noite, estudando.
Nesse tempo que me sobrava entre o trabalho e a aula eu tinha várias opções: Estudar, ir ao cinema, me enrolar em algum puff na FFLCH e tirar uma soneca, dar um mergulho na piscina... Sei lá. Várias opções. A USP é um lugar maravilhoso onde eu consigo me ocupar o dia todo, se quiser.
Talvez não coincidentemente foi ao mesmo tempo em que comecei na terapia e comecei a perceber que meus picos de energia coincidiam com os momentos de emoção intensa que eu não conseguia demonstrar. Eu ficava muito feliz e ficava muito elétrica. Eu ficava muito irritada e ficava três vezes mais elétrica. Eu ficava triste e queria... ok, quando eu ficava triste eu só queria deitar na cama e assistir Star Wars, ou reler a saga Harry Potter. Mas todas as outras emoções intensas me faziam ter esses picos de energia.

Daí não sei o porquê, mas um belo dia na terapia eu voltei pro tempo do Ensino Médio em que eu ODIAVA ter que correr nas aulas de educação física porque não via sentido naquilo e entre várias das discussões a Terapeuta do Capeta meio que sugeriu que eu deveria tentar correr quando estivesse com raiva, nem que fosse pra passar mais raiva ainda e focar em alguma coisa que eu pudesse controlar (já que se eu estava com raiva por estar correndo sem sentido... A raiva passaria assim que eu decidisse parar de correr, veja bem). Fez sentido pra mim.


Desde então eu tenho fases de corrida. Nas férias, por exemplo, eu dificilmente saio pra correr. Agora, trabalhando feito uma mula, eu dificilmente saio pra correr. Mas em 2014 e, principalmente, em 2015, eu cheguei muito perto de sentir o que as pessoas chamam de BARATO DE CORRIDA: Eu saia praticamente todos os dias, nem que fosse por 30min, nem que fosse aqui na Vila, nem que fosse mais pra caminhar ao invés de correr e nem que eu tivesse que parar a cada 5min pra cumprimentar algum vizinho.

Mas eu não sou disciplinada com minhas corridas, sabe? Eu não tenho uma rotina de corrida, eu não conto o tempo, nem os quilômetros que fiz, nem tenho vontade de me inscrever em corridas de rua e essas coisas todas. Correr pra mim é um hobby, algo que eu ainda faço quando preciso liberar energia acumulada e que surpreendentemente me acalma - não mais substituindo uma raiva pela outra, mas me dando tempo pensar nas coisas que estão me irritando e fazer aquele famoso filtro de separar o que dá pra mudar e o que a gente só tem que aceitar mesmo e cabô (e, adivinhem: Quando eu falei isso pra terapeuta no ano passado a grandecíssima filha da mãe me deu um sorrisão e falou "Por que você acha que eu te falei pra fazer isso, kiridinha?" Uma grande escrota minha ex-terapeuta, né? Um beijo pra ela!). Então, de fato, a corrida me acalma.

E a grande liberação de endorfina não é mau negócio, te garanto. É maravilhoso chegar em casa depois de correr, tomar uma ducha e relaxar fazendo qualquer outra coisa. Não tô aqui tentando fazer uma "evangelização" sobre os benefícios da corrida e não vou falar pra vocês comprarem um tênis com umas trinta cores difentes e que custa no mínimo uns quinhentos paus. Tô só, como sempre, aproveitando o espaço pra falar um pouco mais sobre mim, sobre o que me acalma e o que me faz gastar algumas horinhas da semana - além de também render algumas histórias boas, tipo dia desses, que eu sai pra correr aqui perto de casa à noite, um cara DO NADA começou a correr do meu lado, me deu um medão absurdo, eu tive que dar um pique, o cara continuou me seguindo e, quando eu tava na esquina de casa e já tinha decidido parar pra enfrentar o babaca (e, se preciso fosse, gritar mais que a Syndel), ele só mandou um "Moça, sua CNH caiu, tava tentando te devolver!" (babaca, né? Puta merda, eu tava de fones, ouvindo minha playlist pra correr feito a Phoebe, ele não poderia ter BALANÇADO O DOCUMENTO FEITO UMA POLAROID pra eu ver que ele não tava tentando me assediar?). Enfim, ISSO É OUTRA HISTÓRIA. 

Então, pra moça do Terapia em Blog que pediu um post sobre corridas, ei-lô aqui! hahaha
Espero não ter decepcionado se você esperava algo cheio de dicas, referências, instruções pra começar a correr e tal... Sair pra correr, como praticamente tudo o que eu faço simplesmente porque gosto de fazer, geralmente envolve zero planejamento da minha parte. Eu só vou lá e faço: Boto umas musiquinhas legais, corro por meia horinha, penso numas babaquices que me deixaram destemperada durante o dia e pronto cabô. 

Eu só torço pra que vocês, assim como eu, tenham ESSA COISA que permite que vocês voltem ao equilibrio e que, de preferência, não seja pré-programado tipo futebol, F1 ou minhas visitas eventuais ao litoral de São Paulo. ♥

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Mini Romance 12 #Final

No capítulo anterior de "Eu me apaixonei pela pessoa errada e ninguém, nem eu mesma, sabe o quanto estou sofrendo porque guardei todos os sentimentos e fingi que eles nunca existiram", eu me recuperei dignamente do pior fora que levei na vida, saí com um sósia do presidente do Palmeiras e enchi a barriga de bolo de aniversário, salgadinhos e refrigerante a ponto de falar "Ah, beleza. Peraí que vou dar um mijão" quando a história estava a ponto de se resolver.

É aqui que recomeçamos.

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"Ah, beleza. Peraí que vou dar um mijão"

Dois minutos depois (eu realmente fui fazer xixi, sabe?), a gente retomou a conversa, ele me explicou como era o lance budista e eu disse "Preciso tirar várias dúvidas, a gente pode se ver?" e ele topou, é claro.

Essa parte eu gosto de chamar de "O começo do fim do descaralhamento".

Nós fomos pra USP (pra onde mais?), conversar e comer (fazer o quê mais?) e passamos pelo menos umas duas horas comendo e falando de assuntos ridículos, sem chegar no único importante "COMO ASSIM VOCÊ DE REPENTE VOLTA COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO ME DIZENDO PRA GENTE TENTAR DE NOVO, SEU DOENTE?". Aí, quando eu entrei no carro dele pra ir embora, encenamos o meme do "eu só acho que" da vida real, comigo sendo a pessoa que fala "eu só acho que" e ele sendo quem ouve pacientemente duas looooooongas horas de perguntas, comentários e piadinhas envolvendo o budismo, minha bexiga e o tanto que eu curti a sinceridade dele, embora eu não estivesse preparada pra receber tanta sinceridade assim.

E aí eu vou correr um pouco as coisas porque a conversa e a conclusão que tiramos dela dizem muito mais respeito ao Monge e ao que ele sentiu/viveu naquela época do que ao que eu posso contar numa mesa de bar/num post de blog.
(Esse parágrafo é especial para a minha Terapeuta do Capeta, que sabe exatamente o porquê dele estar aqui)

Daí que lá pra junho eu tava completamente descompensada, porque eu tinha descoberto que não tinha sido mais uma vítima da Associação dos Caras Canalhas e tava apta a fundar a Associação das Moças que foram trocadas por Deuses e - pior de tudo - eu continuava apaixonadinha pelo cara, apesar de todos os meus esforços contrários. Entrei numa fossa absurda, a terceira pior delas, e fiquei num estado de GELECA EMOCIONAL até a Irmã do Pirituba, minha amiga psicóloga, mandar um "É o seguinte, kiridinha, pega aqui o endereço dessa mulher, vá até lá, pague alguns reais por mês e conte para ela tudo o que você está sentindo e não quer contar pra gente por algum motivo bizarro".
E eu fui.
E aí voltei a escrever (coisa que eu tinha parado de fazer), voltei a sair com pessoas (coisas que eu, definitivamente, tinha parado de fazer) e passei a lidar de um jeito até que bem equilibrado com algumas coisas que eu tinha pra resolver comigo mesma, muito além do Monge - Mas a terapia é assunto pra outro post, vamos voltar pro Monge.

Pro fim do ano, quando eu já conseguia falar com o Monge sem querer morrer feito o Didi (eu só queria furar meus olhos pra não poder ler as mensagens dele, morrer já tava meio extremo), a gente se viu e combinou o melhor lance que eu já combinei com uma pessoa de verdade: Sinceridade total e zero joguinhos.
Os termos desse acordo são só pra gente e eu não vou discutir num blog, mas ele é MUITO útil. MUITO MESMO. Tanto que atualmente eu falo com o Monge dia sim e dia também, tô bem resolvida com tudo o que sinto, senti e por ventura posso vir a sentir um dia e a ideia de que ele é a ÚNICA pessoa (incluindo meus pais) com quem eu consigo ter uma conversa 100% franca não me assusta mais. E sabe a melhor parte? Zero sentimentos sexuais. Amorosos eu ainda tenho porque, caras, ele é uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci na vida. Mas ele tá bem mais pra "amigãozaço com quem eu posso falar de tudo e que vai falar de tudo comigo" do que pra "amigão pra quem eu falo algumas coisas e que me fala algumas coisas porque, no fundo, a gente quer se pegar loucamente".

O cara é MESMO Monge, sabe?
Não era piadinha. Não era brincadeira. Não era a pior desculpa do mundo e ele encerrou a carreira de garanhão/stalker/pegadorzinho comigo. Saiu por cima, né? Acho que foi um final digníssimo e não tinha como ele melhorar #meujeitinho #sinceridades.
(esse parágrafo está aqui apenas para deleite do próprio Monge, que vai entender o porquê desse parágrafo estar aqui)


Eu nunca coloquei uma tag aqui pro Monge, nem pra nenhum cara com quem saí, mas eu tenho certeza que ele sabe quando escrevo sobre ele. Mesmo quando não fica óbvio. Mesmo quando eu não faço piadinhas sobre ser trocada por um homem morto de 200kg – mas eu espero, do fundo do meu coração, que ele reconheça quando falo sobre ele aqui, principalmente quando não cito Buda. É esse o tipo de amizade que a gente tem agora: O cara passou de stalker pra paixonite, depois pra um ponto censurado na minha história e agora ele tem o lugarzinho dele, beeeeeem atrás do Amigo com Alma Russa (esse é imbatível, é o melhor amigo do universo ♥) e um pouquinho atrás do Pirituba, na sólida terceira posição na lista (em construção e constantemente atualizada) das pessoas que eu curto pra caramba e quero ter sempre por perto.

Tá bom ou não tá?

quarta-feira, 13 de julho de 2016

terça-feira, 12 de julho de 2016

Yeah I been thinkin' 'bout you

Ideias para posts que eu tive atualmente e larguei por um motivo ou outro (o motivo, geralmente, é a preguiça), mas pretendo retomar em breve.

- Contar o sonho bizarro que eu tive com o Charlie Sheen de cavanhaque me dizendo pra correr mais devagar na subidinha da viela porque eu poderia cair nos paralelepipedos;

- Um post sobre minha incapacidade de demontrar sentimentos de um jeito ~normal~ e em como esse foi o único aspecto que eu não percebi mudança nenhuma pós terapia (nesse post eu teria que procurar o gif do Tom Cruise surtando na Oprah);

- Catadão de tweets e ideias idiotas que eu tive, coisas imbecis que eu falei no twitter ou algo do tipo;
-Your love, o funk e outras coisinhas (tipo a playlist didi sainha);

- Corrida, autodestruição e uma raiva que eu demonstro com todos os poros do meu corpo;

- I want your sex (um post sobre sexo porque eu senti vontade de falar sobre sexo dia desses e a Psycho não podia conversar, daí eu mandei um email e esse email ficou bom demais e me fez pensar em várias coisas);

- A minha incapacidade de relaxar (o título desse post seria "Relaxa senão não encaixa");

- Um post sobre mergulhar na bad e desfrutar da fossa até o limite pra só então superar as coisas (o título desse post seria "Today I don't feel like doing anything" e ele teria uma continuação chamada "I just wanna lay in my bed");

- Um post sobre stalkers (minhas habilidades, meus stalkers, e a música do Police).

- Domingos Montagner (provavelmente esse seria só uma foto dele e um "QUE HOMEM MARAVILHOSO");

- Um post baseado naquele do Felipe onde eu falaria apenas do Lanterna Verde e da Vampira (sinto uma pena dessa moça, gente);

- Didi Vagner, dicas amorosas e a constatação de que eu, na minha turma, sou a pessoa que dá os conselhos, resolve as tretas de todo mundo, mas consigo ser mais burra que um *inserir bicho burro aqui* quando o assunto sou eu mesma;

- Impressões que deixamos nas pessoas (ou: "eu já deveria ter aprendido a nunca confiar na minha primeira impressão");

- O que eu considero positivo num moço (esse post teria como título um trecho de uma música do Belo ou, se eu decidisse fazer o post a sério, de uma da Alanis);

- Um post com dicas de séries, livros e filmes que eu vi atualmente e recomendo;

- O porquê de eu não ouvir mais Weezer e o perigo de associar pessoas a coisas, coisas a pessoas e músicas a momentos bem específicos;

- O Pirituba (foi aniversário dele, eu não escrevi um post de aniversário, ele reclamou que eu não fiz um post de aniversário e eu botei na lista de coisas que eu preciso fazer, mas ainda não fiz);
- Uma edição PARMERA do "moços que a sociedade não acha bonitos e eu pegaria sem pensar duas vezes caso tivesse chance";

- Claustrofobia, curious cat, memes do Facebook e coisas que ninguém sabe sobre mim, ninguém precisa saber, ninguém perguntou e eu vou contar mesmo assim porque eu quero;

- 13 de julho de 2013, o dia em que eu chorei na frente de uma amiga e ela achou sincerament que o mundo ia acabar (ou "eu não sei demonstrar sentimentos de um jeito ~normal~ e isso, de vez em quando, rende boas histórias").


Fico aqui pensando que, se eu morrer de repente, esse blog vai ser meio que fantasma porque eu sempre deixo uns posts programados aqui e nem sempre é pra datas próximas - principalmente as coisas que eu quero contar, mas ainda não posso porque "não deu o tempo". Tem essas ideias aí e aceito sugestões de qual escrever primeiro. Deixe seu comentário :D

segunda-feira, 11 de julho de 2016

We needed to unwind I guess nothin' can last forever - forever, no

Uma das pessoas que eu mais detestei na minha vida, odiozinho esse que durou ali dos meus 15 aos 20 (não coincidentemente o mesmo tempo que meu primeiro namoro) foi uma moça, também chamada Beatriz, que tinha sido “a Beatriz” do meu ex namorado antes de mim.

“Aiiiin, você odiava a moça porque ela era a ex do seu ex?”

Então. Sim. E não. Era mais complexo que isso porque eu odiava a moça, mas ela NUNCA TINHA SIDO EX DO MEU EX. No máximo BFF.

“Cara, então você era muito ridícula, 'cê me desculpe”

Desculpo sim, porque eu era adolescente e tinha o direito de ser ridícula – direito esse que aproveitei de todas as maneiras possíveis e fazendo o máximo de coisas ridículas possíveis. Mas agora eu acho que tô tentando não ser mais tão ridícula, pelo menos não nesse aspecto e, enfim… Vida que segue. Vamos voltar ao que importa.



Eu detestava essa moça. Eu detestava a EXISTÊNCIA dessa moça. Eu detestava a IDEIA de que DUAS PESSOAS um dia TRANSARAM e, DESSA TRANSA ESPECÍFICA, nasceu essa moça. Eu detestava a moça um tanto que, pra mim, era inconcebível que os pais dela, depois de terem transado e viram o que saiu daqueles 15min (ou menos), ainda repetiram o ato a ponto de fazerem mais uma criança que eu - por incrível que pareça – achava bem daorinha apesar de tudo (a irmã mais nova dela era bem legal).



Pois bem.

Na oitava série, meu ex namorado e eu saímos do nosso antigo colégio de padres e fomos pra uma ETEC aqui perto de casa. Lá, a gente se conheceu e virou amigo e depois, obviamente, namoramos.

Tinha essa moça do antigo colégio de padres, minha xará, que tinha sido a melhor amiga do meu ex e de quem ele tinha sido príncipe na festa de debutante. Essa moça, que daqui pra frente eu chamarei de BIA DO MAL, era a personificação do mal (digamos que eu tive uma infância muito boa e não tive muito com o que me preocupar, daí as minhas perspectivas sobre o bem e o mal, ou sobre o que era bom ou ruim, não eram necessariamente muito amplas e práticas). No dia que eu comecei a namorar e fui conhecer os amigos do meu ex, lá estava ela, me olhando com aquela cara de furiosa. E lá estavam os amigos do meu ex, me olhando e olhando pra ela com cara de “iiiiiiiiih vai morrer!”. Nos dias seguintes ao que eu comecei a namorar, ela começou a dar sistematicamente em cima do meu ex (na época ainda) namorado.

Era desde um scrap com “oiii amorzinho” que ela NUNCA ANTES TINHA MANDADO antes da gente mudar o status no orkut, com umas coisas mais diretas tipo “vi um moço que parecia muito com você no clube hoje, na piscina, era assim bonitão feito você” e passando pelo “nhaaaain, você não gosta mais de mim, só gosta da sua Bê agora”, com eventuais trocas de scraps e diretas muito diretas com as amigas dela que eu só ficava sabendo que existiam porque – isso mesmo – eu stalkeava (nunca fui santa).

Ai tinha essa moça e era “tinha” mesmo, porque embora eu nunca tenha falado “ou ela, ou eu” o meu ex namorado certa feita meio que ficou comigo porque ela era realmente um pé no saco e parou de falar com ela. Mas o ódio meio que continuou, sabe? Dos dois lados.

Eu me comprometi a parar de stalkear e nunca mais falar com a moça, mas por vários motivos a gente continuava sabendo da vida uma da outra (a prima da minha melhor amiga psicopata era melhor amiga de uma das grandes amigas dela e uma grandecíssima fofoqueira). Numa dessas eu descobri que o namorado da xará (namorado esse que eu carinhosamente chamava de Robocop) a havia traído.

E foi aí que tudo mudou.

Não, a gente não virou amigas. Não, ela não pegou meu ex. Não, não teve um momento de revelação feminista em que eu percebi que nós, mulheres, não devemos brigar por caras já que obviamente nenhum deles vale a pena e a sociedade patriarcal quer mesmo que a gente brigue, de preferência numa banheira de lama.

Mas, quando eu soube que ela tinha sido traída, eu me coloquei de verdade no lugar dela. Eu saquei que aquela pobre alma infinitamente inferior a mim (eu era realmente uma pessoa horrível, né?) tava perdendo a chance maravilhosa dela de ter alguém, já que o cara que ela queria (meu ex-namorado) já era meu.... Tá, não. Desculpa. Eu NÃO me coloquei no lugar dela. Eu simplesmente achei que era uma bosta o namoro dela ter terminado porque agora ela ia voltar a dar em cima do MEU namorado e, cara, as coisas tavam ficando tão boas sem ela dando em cima do meu namorado. Que bosta que o namorado dela era um bosta. Aff.

Até que eu soube que... Ela tinha voltado com o cara. E aí DE VERDADE as coisas mudaram. Porque eu parei de desgostar dela pra sentir algo que era uma mistura de incredulidade com pena.

“Eu não acredito que ela voltou com esse mocorongo que a traiu! Sério!” “Meu Deus, coitada dessa menina!” “Sério, que menina burra, ela consegue alguém infinitamente melhor que o Robocop!” “Ela deve gostar demais desse cara, puta merda, que dó!” “Eu nunca me sujeitaria a voltar com um cara que me traiu, vsf!” - Rolou até um post no antigo Lado Bê onde eu meio que escrevia sobre isso, só que sem citar diretamente a história dela. Meu ex namorado ficou bem bolado achando que eu tava falando da gente, até (E jurou que jamais me trairia, hahahahahaha.... mas aí já tô dando spoiler).

Daí quando eu acho que a pessoa é digna de pena, meus amigos... 'Cê esquece qualquer outro sentimento porque essa pessoa vai meio que virar quase um mascotinho da piedade pra mim. Eu quase nunca vou pensar nela, mas, quando pensar, vai ser com… Piedade. Acabou ódio.
A Beatriz de 17 anos (a Lourenço, não a outra) desencanou totalmente daquela moça quando ficou comprovado que ela gostava demais do cara que a tinha traído pra aceitar a humilhação de continuar com o cara mesmo depois de ter sido traída. Vida que segue.

Três anos depois, quando EU fui traída e EU gostava demais do cara (o primeiro namorado ainda, né?) a ponto de me humilhar e pedir pra voltar, dizer que a gente podia passar por cima de tudo, que nosso namoro ia dar a volta e blábláblá... Eu lembrei dessa moça e de como eu a tinha julgado por coisa do lance de ter voltado com o cara.


“Então aí rolou a virada feminista, né? Aí você descobriu que julgar os outros é feio, que ninguém sabe a dinâmica de um casal além do próprio casal e tal, né? Aí vocês viraram amigas?”


Err... Não.

Aí eu fiquei com raiva de mim mesma por estar me colocando na mesma posição de alguém que eu detestava (o odiozinho fez uma pequena aparição nessa época) e aí bloqueei o ex namorado de todas as redes sociais possíveis, nunca mais atendi nenhuma ligação dele, pedi pros meus pais dizerem que eu tinha ido passar uns tempos na casa da minha bisa (porque foi nas férias mesmo o fim do namoro, foda-se) e mudei o caminho pra minha casa pra nunca mais passar na frente da loja da irmã dele (que ficava bem na minha rua, fiz um puta desvio naquela época, aff) e entrei numa fase meio PORRA LOUCA de fazer umas merdas aí que eu até hoje me arrependo um pouco de ter feito.



“Tá, e qual é a liçãozinha disso tudo?”


Então. Várias.

1. Eu fui uma adolescente bem insegura, idiota e ciumenta, embora eu tenha guardado tudo isso pra mim por tanto tempo e de tal jeito que o meu ex namorado me chamou de “Fria e sem sentimentos” e disse que eu “nunca tinha gostado dele” quando a gente se falou pela primeira vez depois do término (quase um ano depois, quando a minha raiva passou e eu desbloqueei) – e aí eu meio que mandei o cara se foder porque (talvez a raiva não tivesse passado totalmente) cara, eu JAMAIS teria perdido cinco anos da minha vida com alguém de quem eu não gostasse. Eu podia ser fria que nem pé sem meia numa noite de inverno, mas eu nunca, nunca, nunca fui burra. Não por tanto tempo.

2. Eu entendo gente que perdoa traição, embora eu não tenha essa inclinação bondosa a perdoar traição e sempre seja bem rígida com meus amigos toda vez que algum deles faz uma merda dessas. Depois que eu fui traída pela primeira vez eu decidi que NUNCA iria trair ninguém, e sigo sendo fiel a esse princípio até mesmo em alguns casos quando não rola especificamente o tratado de fidelidade – até porque eu não sou uma máquina do sexo e dos relacionamentos que precisa sair com 30 pessoas ao mesmo tempo e trepar com 5 (Não ao mesmo tempo) pra ficar feliz.

3. Eu nunca, nunca, nunca, vou ficar amiga de alguém que deu em cima do meu namorado na época em que eu namorava com ele. Não importa o quanto eu tenha virado feminista, não importa o quanto eu tenha deixado a adolescência pra trás, não importa o quanto o plot de “John Tucker must die” pareça interessante. Nunca. Não é questão de birra infantil, mas é que eu sinceramente não sei se quero ter alguém que não respeita o relacionamento alheio na minha vida.

4. Toda vez que eu atravesso (e é sempre sem querer), o relacionamento de alguém, me bate uma culpa incrível e eu me retiro mais rápido que piscadinha de borboleta (nesse momento me veio a história do moço por quem eu me derretia toda só porque ele era baiano). Eu não quero ser essa pessoa que interfere no relacionamento dos outros. Mesmo. Nunca. Se eu for, me fala que eu paro, peço desculpas e fico longe. Sério.

Mini Romance 12 #2

Previously on LOST -Não, quer dizer...

No episódio anterior desse Mini-Romance vocês finalmente ficaram sabendo como eu conheci o Monge e como eu me apaixonei na primeira stalkeada, correndo vários riscos pra viver essa paixão e, no fim, levando um pé na bunda pós Carnaval pelo motivo mais bizarro do mundo. No episódio de hoje nós saberemos como essa história se desenrolou - Porque É CLARO que não terminou naquilo.


"Beatriz, eu fui meio babaca com você e sumi esses dias porque eu não sabia como te dizer o que eu preciso te dizer, mas você é uma garota muito maravilhosa e merece saber a verdade: A gente não vai mais poder sair porque eu tô passando por uma fase meio assexuada, tive uma epifania no retiro espiritual e acho que vou virar Monge"


Depois de dar tela azul e ficar imóvel o suficiente pro cara não ouvir os caquinhos do meu coração se quebrando (porque É ÓBVIO que eu não tinha comprado uma só palavra dessa história de virar Monge, né? Monge só poderia ser um acrônimo pra "Melhor Orgias Noturnas com Garotas Esportistas", como é que um cara, em pleno século XXI, no meio da sociedade ocidentalizada que tem sexo em todos os lugares, consegue virar Monge? Era lorota, só podia), eu virei e mandei um:

"Cara, ainda bem que você deu alguma resposta, porque eu ia ficar bem chateada se você fosse o tipo de babaca que some sem dizer nada. E ainda bem que você trouxe meu HD, cara, porque aí tem todas as temporadas de Felicity que eu demorei um tempão pra baixar por torrent e ainda não copiei pra DVD"

E aí eu não lembro o que se seguiu, provavelmente foi uma coisa meio civilizada (porque não dou barraco) e um "a gente se fala". Eu voltei pro trabalho, ele foi meditar e fazer sei lá o que Monges budistas fazem (engordar e virar o Buda gordo? Não sei. Até porque agora que descobri que Buda não era gordo as coisas ficaram um pouco confusas aqui).


Passei o resto daquela semana em silêncio, incrédula, remoendo todas as possibilidades da desculpa mais furada que eu já tinha recebido na vida e tentando enfiar toda a paixonite o mais fundo na gaveta dos sentimentos que eu conseguisse. E eu tava indo bem, até o dia em que um dos meus grandes amigos, me chamou pra sair pra comer e perguntou, casualmente, como estava o (agora já posso apresentar pelo "nome real", né?) Monge.

E aí eu contei tudo, é claro. E esse amigo teve a única reação possível: Riu até ter que fazer uns exercícios faciais pra tirar a dor das bochechas e depois me disse que eu tinha tomado o pior fora da história.
Amizade é uma coisa linda.

O tempo passou, eu sofri calada e até deu pra tirar ele do pensamento porque eu voltei pro Tinder (inicialmente apenas pra excluir aquela merda, mas depois pensei "por que não?") e aí decidi voltar pra sacanagem pra casa de massagem porque lá sempre foi meu lugar, por quê não, já que eu tinha tomado o pior fora do mundo e o cara tinha virado gay? (essa era a teoria do meu grande amigo)

Tudo tava dando muito certo até dois eventos acontecerem quase ao mesmo tempo, lá pra maio:
1. O advento do cara que parecia o Paulo Nobre (e o episódio ridículo em que ele descobriu que eu o achava parecido com o Paulo Nobre, essa história ta aí pra trás em algum dos Mini-Romances);
2. O aniversário da minha mãe.

No mesmo final de semana do aniversário da minha mãe rolou o lance do Paulo Nobre e eu tava naquele humorzinho gostoso de quem tinha tido um rolê ruim, mas engraçado, e tinha enchido a barriga de bolo e salgadinho numa festa. Eu TAVA DAORA™, aí o Monge me chamou pra conversar e sondou sobre o Paulo Nobre. Eu, que de trouxa tenho só a cara e o comportamento, meio que desconfiei, mas deixei pra lá porque eu tinha enfiado mesmo os sentimentos lá no fundo e não ia tirá-los de lá nem com reza brava.

E aí novamente NADA do que eu tinha vivido, NADA do que eu já tinha lido, visto nas minhas comédias românticas prediletas, NA-DA ia me preparar para a frase que o Monge mandou no chat:


"Então, é que a minha fase Monge aparentemente está acabando e eu queria saber se você está solteira e a gente pode tentar alguma coisa de novo"


Eu dei tela azul de novo, obviamente. E, para meu completo deleite, eu dei a resposta para a qual o Monge provavelmente também não estava preparado:

"Ah, beleza. Peraí que vou dar um mijão".

Juro pra vocês.



E essa segunda parte acaba aqui porque o post tá grande, a vontade tá curta e eu preciso fazer outras coisas. STAY TUNED. Segunda que vem eu (acho) que acabo. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

You'll never be a better kind If you don't leave the world behind

Daí que eu tava a toa no meu lugar e veio a mosca me atrapalhar  uma amiga, que tem se tornado bastante amiga nos últimos tempos, veio me perguntar sobre um amigo, que é meu amigo há tanto tempo que eu sinceramente já cheguei no ponto de achar que nossa amizade agora só pode terminar com a morte de um dos dois - porque, falando sério, esse cara sabe demais da minha vida pra viver por aí sem ser meu amigo.

Mas perguntar daquele jeito, sabe? Querendo saber sobre a vida amorosa dele de um jeito que ela pudesse recuar a qualquer minuto e dizer que “opa, não, eu tava perguntando profissionalmente, tô bem interessada em saber a fórmula da Tubaína e tô vasculhando profissionais que, eventualmente, possam me dar essa informação” caso eu fosse um pouco sacana e, bem, sacaneasse (Coisa que eu OBVIAMENTE faria, né? A gente não pode culpar as pessoas que não me conhecem bem por isso. As que me conhecem sabem que minha sacanagem é puramente superficial e resolvida com um “ah, sossega essa periquita”).

Daí eu obviamente fiz o serviço como se ela fosse uma pessoa na faculdade fazendo pesquisa de referências pra colocar num trabalho: Dei aquele resuminho básico pra pessoa saber se quer ou não continuar a “leitura”, o que não me faria entrar em guerra com o melhor amigo por contar detalhes da vida dele, nem ganhar a inimizade da nova amiga por negar informações que ela, teoricamente, queria apenas pra arquivo.

E todo mundo ficou feliz.

Quer dizer… Quase todo mundo, né? Porque eu nem preciso dizer que fiquei pensando enlouquecidamente (por aproximadamente 10min) sobre como seria meu resumo acadêmico, como que as pessoas me descreveriam pra alguém que está interessado em mim, não necessariamente de um jeito romântico/sexual, mas simplesmente saber, sabe? Pra arquivo.

E aí eu fiz o que qualquer pessoa dodói da cabeça faria: Cacei nos meus últimos diários qualquer comentário que eu tenha anotado sobre pessoas falando de mim. Seja sobre minha aparência (“suas bochechas estão mais pra fofinha do que pra Fofão”), seja sobre minha personalidade (aparentemente “divertida” seria uma das minhas palavras chave) ou seja sobre meu comportamento em situações bem específicas (“que palhaça”, “naja” e “cuzona hahaha” foram usadas em mais de uma delas).

Mas aí eu achei que não era suficiente e fui um pouco mais além: Perguntei pras duas pessoas que eu sei que jamais mentiriam pra mim nesse aspecto (e, de um jeito bem bizarro, eu não tô falando da minha mãe e do meu pai!) e recebi respostas bacanas mas que não ajudaram em nada (perdão, vocês dois).

O primeiro, meu ex-namorado, me mandou um “você é uma insuportável que fica fazendo essas perguntas aleatórias no meio do dia e esperando de verdade que eu dê essa resposta difícil assim de cara” e, logo em seguida, mandou um “você é engraçada, inteligente, o tipo de pessoa que ao mesmo tempo em que é estável sempre vai dar um jeito de surpreender, você tem essa cara que dá vontade de apertar como se fosse um filhotinho de cachorro, mas um filhotinho de labrador, sabe? Que a qualquer momento pode ficar hiperativo, destruir umas coisas e você sabe, você simplesmente sabe que não vai conseguir ficar bravo com ele por muito tempo. E já sei que você vai perguntar se eu te acho gata e a resposta é: sim. Acho. Embora você não seja o padrão, eu te acho bastante. E nem precisa falar que é errado achar filhotinhos de labrador gatos, Beatriz... Eu sei que você vai falar isso, não me diz que você não ia. EU SEI” - achei meio sinistro, principalmente porque eu realmente ia falar que é meio errado falar que filhotinhos de labrador são bonitinhos a ponto de merecer o elogio "gatos".

O segundo, o Monge, que me mandou um “Você é muito legal. É uma menina que eu peguei no tinder, mas acabou virando amigona porque é das poucas pessoas que tenho na vida com quem posso falar o que eu penso sem filtrar. Você sofre um pouco porque queria achar um cara legal pra namorar, mas sacou que a vida é difícil e a galera é doidona. E eu sempre posso te chamar sempre pra beber uma cerveja e trocar uma ideia, porque sempre dá certo que dá certo. E você também é bonita estilo ruiva com sardinhas e bochechas”.

Daí eu já tava me achando porque, né? Duas pessoas importantes do meu passado me elogiaram desse jeito e uau, meu ego tava mais nas alturas que a Hosana (eu achava que Hosana era uma pessoa, me deixa). E só pra tirar a prova eu fui pedir uma terceira opinião de uma amiga psicóloga que não é muito conhecida por ter muita paciência e/ou tempo disponível durante o dia pra grandes questões existenciais de foro individual que não sejam remuneradas (a noite tudo bem).

A resposta que eu ganhei?

“Você tá querendo saber isso pra mais um dos seus momentos de autoconhecimento ou porque tá meio encucada com alguma coisa e precisa de um afago na alma pra ter certeza do que já tá cansada de saber?”

Bom, foi aí que eu saquei que eu realmente tô passando por uma daquelas fases de estar me achando meio sem graça e queria só uns confetes mesmo, o que se pode fazer?

Daí parei e me dei a minha própria descrição: Eu sou a pessoa que escreve um texto enorme, sem motivo algum, desenvolve todo um raciocínio, faz todo mundo criar expectativas e aí de repente percebe que tudo era meio furado e publica mesmo assim.





Fim.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Every little thing she does is magic

Duas possíveis respostas para a pergunta “Que roxo é esse, Beatriz?” que podem servir como explicação para o roxo que apareceu bem nas minhas saboneteiras e que se parece como uma mistura de tentativa meio agressiva e desajeitada de tirar um sutiã num momento de arroubo sexual onde, supostamente, a boca foi usada em algum momento e que é, na verdade, resultado de uma tentativa de tirar o sutiã sem tirar a blusa antes (sério, eu juro, foi só isso).


1. “Hahaha... Deixa quieto!” *fica vermelha e sai da sala deixando todos com a impressão de que você teve um arroubo sexual violento o suficiente pra tirar o sutiã de um jeito meio agressivo e desajeitado usando, possivelmente, a boca no processo*

2. “Isso? Ah, eu cheguei em casa e quis tirar o sutiã, mas tava meio frio, fiquei com preguiça de tirar a blusa antes, a blusa de frio que eu tava usando tinha uns pininhos de pressão e eu, sei lá como, prendi um deles na minha pele e aí entrei em desespero, dei uma esticadinha a mais na alça do sutiã e ela bateu na minha pele também, o que deixou essa marca bizarra. Juro”.



O que eu ouvi quando dei a primeira resposta:



“Transou, né, safada?”


O que eu ouvi quando dei a segunda resposta (já que a primeira, obviamente, fez a pessoa imaginar coisas que não correspondiam à verdade e eu fiquei meio chocada com isso):



“Ó lá, inventando desculpinha pra não contar que transou né, safada?”



(eu juro pra vocês que tiraria uma foto pra provar que isso aconteceu de verdade. Mas não quero tirar foto, tá frio demais)

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Mini romance 12 #1

Essa NÃO é mais uma das manjadas histórias de amor que já aconteceu comigo, com você e com todo mundo. Esse mini-romance é especial demais, é o Dragão Branco de Olhos Azuis do meu baralho do Super Trunfo das Desgraças, a história que eu vou contar no bar pro resto da vida porque ela é simplesmente maravilhosa demais pra ser guardada apenas pra mim.
Prepare-se: Você fará uma viagem incrível quando eu terminar de contar.
Atenção para a contagem regressiva
5
4
3
2
1

__________


Um belo dia eu estava fazendo minhas coisas quando, de repente, meu celular apitou com uma notificação: Um cara desconhecido tinha me adicionado no Facebook. Daí dei aquela stalkeada no perfil e saquei que era da USP. "Hmm.... Será alguém que eu conheci em alguma festa e não tô lembrada? Vamos educadamente perguntar"

eu: Oi, tudo bem? Desculpa, mas não tô lembrando de você. A gente se conhece?
cara desconhecido que me adicionou no Facebook: oi! então! não! A gente deu match no Tinder, mas eu vi que você não entra lá tem uns meses e eu te achei interessante e achei que valia a pena te procurar. Daí entrei no seu instagram e achei seu Facebook. Tudo bem?

Cara, não tava tudo bem, né? Olha essa primeira mensagem, gente. Minha parte racional berrava "NÃO TÁ TUDO BEM!!!! SAI DAÍ, ESSE HOMEM VAI ROUBAR O SEU RIM E VENDER SEU FÍGADO PRA UMA SEITA DE CANIBAIS EM ALGUM RINCÃO PERDIDO DA AMAZÔNIA! SAI, FOGE! BLOQUEIA E REPORTA COMO SPAM!! MUDA DE CASA SÓ POR GARANTIA, MUDA DE NOME!! PASSA A SE CHAMAR FERNANDA, TODO MUNDO JÁ ACHA QUE VOCÊ SE CHAMA FERNANDA MESMO, VAI DAR QUASE NADA DE DIFERENÇA!" e eu não sei por que diabos eu ignorei essa parte racional, ignorei (Foi porque eu achei o cara gato e tava numa fase meio "ah, que se foda?"? Talvez. Vocês nunca saberão com certeza).
  
Era comecinho do ano, tava um calor desgraçado e eu tinha acabado de comprar uma piscina gigante pra  passar minhas férias com o bumbum na água e tomando biritas diversas sem sair de casa já que eu não ia viajar. Esse primeiro micro diálogo e esse primeiro stalk aconteceu enquanto eu estava dentro de uma loja do Ponto Frio (talvez por isso eu não estivesse dando a atenção necessária para o fato de que um STALKER CONFESSO tinha me caçado nas redes sociais? Talvez. Nunca saberemos). O fato é que eu comprei minha piscina e minha prioridade não era conversar com um desconhecido da internet, né? Mandei um "olha, te aceitei, depois a gente conversa" e fui pra casa desfrutar de uma tarde de bumbum na água e biritas diversas. A noite, como eu já tava meio de pilequinho e vermelha de Sol, eu não sai (era uma sexta feira, me lembro bem). E aí vi o desconhecido stalker online e (por que não?) fui puxar papo.

Foi aí que fodeu tudo.

Meu querido leitor, minha querida leitora, quantas vezes já aconteceu na sua vida de encontrar alguém ocasionalmente na internet e, sem nunca terem se falado antes, passar a madrugada falando de coisas aleatórias com essa pessoa, sem vacilar pra contar coisas que seus amigos, se sabem, demoram pra saber, e dando risada alta de madrugada quando a pessoa contava coisas igualmente boas?
Comigo já tinha rolado algumas vezes (eu sou sociável, gente, dsclp), mas eu nunca tinha avançado na conversa tão profundamente e tão rapidamente como aquele dia. Fiquei bem assustada, não nego, principalmente porque eu não tinha como saber se o cara tava me entendendo direitinho porque tinha me stalkeado profundamente (era possível) ou porque a gente combinava de um jeito bizarríssimo.

Aí eu fiz a unica coisa que alguém com pelo menos meio cérebro sabe que não deve fazer: Topei sair com o cara ao vivo, claro.

A gente vê aquelas histórias de pessoas que se envolvem com desconhecidos na internet e pensa em crianças que não tem malicia, ou idosos que não tem o paranauê da internet... Mas eu poderia ter sido MORTA porque topei sair com um cara que era assumidamente meu stalker na internet. Imagina as notícias. Imagina o Datena capitalizando em cima da minha morte, caras. IMAGINA.

Marquei com o cara na USP, perto de um lugar movimentado, e botei dois capangas amigos de olho: Dei a placa do carro, avisei pra onde a gente tava indo e o nome completo do cara (além de ter deixado o meu amigo que tem a senha do meu facebook de aviso, falando pra ele entrar e imprimir o histórico inteiro de conversa e divulgar em todos os canais possíveis pra ninguém nunca mais cair na lábia do provável psicopata). SE EU FOSSE MORRER, O  STALKER IA PAGAR POR ISSO. - Mas não morri, né? Claro. Dã.

A gente foi assistir Frozen. No primeiro encontro. Eu não lembro quem deu a ideia, mas lembro que em algum momento eu falei "Eu curto desenhos Disney, por mim tá ótimo!" e ele entrou nessa aventura muito louca chamada "Ok, vamos lá sair com essa moça que eu adicionei porque achei gata, que eu chamei pra sair porque achei interessante, que eu deixei entrar no meu carro e trouxe pro cinema porque ela curte desenhos Disney".

Em algum momento ali entre os traillers rolou um beijinhos e eu, que lembro de tudo, não lembro do momento exato do primeiro beijo ou como ele aconteceu. Do que eu lembro mesmo daquele dia é dele tentando escolher alguma coisa pra comer enquanto eu ficava na pontinha dos pés enchendo o cara de beijos na praça de alimentação. Irritante, né? Foda. Se fizessem isso comigo eu já dava logo uns berros. A hora da comida é sagrada.

Mas o foda é que eu soube, mesmo sem querer admitir, ainda na primeira madrugada de conversas, que eu tava apaixonada. Sim. O cupido tinha me acertado com a sua flecha, o anjo tinha chegado na hora certa. Eu tava completamente fodida.

 Eu não sei se já deu pra ficar claro pelos outros posts desse blog, mas eu não sei lidar muito bem com sentimentos e emoções que surgem do nada. É #meujeitinho. E, como faço habitualmente quando percebo essas coisas (não é frequente, mas eu sei quando rola), entrei no modo "desculpa incomodar com a minha existência" e virei a pessoa mais tímida, autocentrada e tiazona do pavê que existe. Uma combinação que é um completo desastre. Vocês nunca me verão apaixonada porque eu consigo disfarçar pra todo mundo (menos, talvez, pro Amigo com alma Russa), mas é ridículo. Acreditem - E com esse cara foi ainda mais, sabe? Porque a gente tinha essa coisa de conversar por horas sobre qualquer coisa, a gente tinha dado uns beijos até que bem decentes e a gente ainda não tinha transado (por N motivos, sendo "ele foi viajar" o principal deles). Eu tava insuportável, caras. 'Cês não tem ideia.

E aí a paixonite foi aumentando, eu fiquei cada vez mais fechada, o cara também era tímido e respeitador nos assuntos de relacionamento (isso eu achava, né? Mas aí talvez já seja um spoiler) e a gente ia levando um começo de alguma coisa num nível que era semi celibatário.
Até que não foi mais (semi celibatário, eu digo). E foi só "ok". Gente, vejam bem... Eu não estou falando mal do cara. Eu tô falando mal dessa coisa chamada "criar expectativas". A expectativa é a mãe da merda, gente. Você quer tanto uma coisa, você imagina tanto uma coisa acontecendo e a realidade quase nunca é igual ao que você imaginou. Eu não tô imune a isso. Não foi ruim, foi "ok" comparado ao paraíso que eu tinha imaginado na minha cabeça.

Novamente o meu lado racional começou a GRITAR um "TEM ALGUMA COISA ERRADA AÍ, BEATRIZ. TEM ALGUMA COISA MUITO ERRADA AÍ. SEGURA, BERENICE, NÓS VAMOS BATER!" e eu - novamente - ignorei solenemente porque o meu lado passional tinha se divertido bastante mesmo no momento "ok" e tava pegando pra ele uma parte da culpa por ter sido "ok" (porque eu fico realmente tímida quando tô apaixonadinha. Não é legal, caras).

Meses se passaram e chegou o Carnaval... Como eu tava solteira (apaixonada, porém solteira), fiz vários planos de cair na farra, beber e dar mole pra semiconhecidos na rua, aproveitando que o stalker, conforme já tinha me avisado, ia pra um retiro espiritual.

---PAUSA---
AGORA 'CÊS JÁ SABEM DE QUEM EU TÔ FALANDO?
---FIM DA PAUSA--- 

Eu já falei pra vocês que, tirando algumas fases muito específicas da minha vida, eu não tenho essa coisa de sair com trinta, dar pra vários, fazer risquinhos no diário contando com quantos caras eu saí, né? Pois bem. Eu tinha planejado curtir, mas tive um carnaval bem tranquilo fazendo coisas tranquilas com os amigos (e morrendo de saudade do stalker porque, vamos lembrar, eu tava apaixonada e gente apaixonada fica o quê? Isso mesmo: Idiota) e riscando os dias pra quarta de cinzas quando o stalker finalmente voltaria e a gente ia matar as saudades.

Terça de carnaval.: Silêncio.
Quarta de cinzas: Silêncio.
Quinta: Silêncio.
Sexta: Silêncio.
Sábado: Aniversário do amigo com Alma-Russa, ele sabia, ele tinha sido convidado e... Não apareceu.
Domingo: Fossa dos infernos.
Segunda feira pós carnaval: Silêncio.


Terça feira pós carnaval: Uma mensagem com o famigerado "oi, a gente precisa conversar, né?" - E vocês não fazem A MAIS PUTA IDEIA do quanto essa frase que precede o apocalipse me fez bem. 
Gente, pensa bem...
Você tá saindo com um cara, ele diz que vai pra um "retiro" no Carnaval, o Carnaval acaba e você não tem notícias do cara. Você pensa o quê?
Todo o tipo de merda, né? Que o retiro era, na verdade, a simplificação de "Retiro minhas roupas e três gatas de etnias diferentes dançam sensualmente pra mim, aí eu posso escolher uma delas, duas se eu for ousado, e fazer um ziriguidum", que o carro dele tinha caído na estrada e ele tinha morrido, que ele tinha se apaixonado por alguém e fugido, que curtir o carnaval tinha feito o cara perceber que até ficar solteiro e ter que sair com gente dodói da cabeça era melhor do que sair comigo... Esse tipo de merda. Quando o cara deu sinal de vida eu fiquei aliviada. Sério.


"Talvez, às vezes, é pior que o não", como diria aquela música do Ramirez que eu curto pra caramba, e eu tinha certeza absoluta que ia ganhar um não, mas que ia ficar bem melhor em termos de desgraçamento mental. 
Daí no dia combinado pra tal conversa o moço apareceu: Meu HD na mão (que eu tinha esquecido com ele da última vez que tinha ido pra casa dele assistir Sherlock), uma cara de cachorro que caiu da mudança e umas frases pra me dizer pra justificar o sumiço.

Aqui eu preciso fazer uma pausa e dizer pra vocês que NADA, NADA NA VIDA, NENHUM RELACIONAMENTO QUE EU TINHA TIDO, NENHUMA COMÉDIA ROMÂNTICA QUE EU TINHA VISTO, NENHUMA FICÇÃO QUE EU TINHA LIDO, NENHUMA HISTÓRIA QUE EU TINHA ESCUTADO DOS AMIGOS.. NADA DISSO... Tinha me preparado para o que o stalker me disse naquele momento. Nada.

"Beatriz, eu fui meio babaca com você e sumi esses dias porque eu não sabia como te dizer o que eu preciso te dizer, mas você é uma garota muito maravilhosa e merece saber a verdade: A gente não vai mais poder sair porque eu tô passando por uma fase meio assexuada, tive uma epifania no retiro espiritual e acho que vou virar Monge"

Por dentro eu estava:
QQQQQQQQQQQQQQQQQQ

Por fora eu nem lembro como eu estava porque, provavelmente deu tela azul e eu só teria como saber como fiquei nessa hora se eu perguntasse para o Monge, mas ele não vai lembrar. O tempo e a História perderam essa informação valiosa.


___________

E eu encerro essa primeira parte por aqui, porque eu demorei QUASE TRÊS ANOS pra escrever sobre esse Mini-Romance por um motivo e esse motivo é: Melhor. História. Ever.

Não percam o próximo post, que sai.... Quando Deus quiser (nesse blog eu sou Deus e já escrevi a próxima parte e programei, mas apenas EU sei quando e vocês terão que entrar aqui para acompanhar MHUAHUAHUAUHA).

(segunda que vem, gente. Segunda que vem sai a parte 2)

Hoje eu acordei meio...

...Querendo voltar pro show de ontem do Lo Borges e do Samuel Rosa ♥

Namore alguém que te olhe como o Lo olha pro Samuel.

sábado, 2 de julho de 2016

Heaven only knows that we live in a world where what we call beautiful is just something on sale

LISTA (incompleta, interminável em constante atualização e fora de ordem) DE HOMENS NÃO CONSIDERADOS BONITOS PELA SOCIEDADE QUE EU PEGARIA SEM PENSAR DUAS VEZES CASO TIVESSE CHANCE (indo apenas pela aparência, não fui ao google ver se há passado público de babaquice).


1. SLASH

A versão 2016 desse homem tá bem estragadinha até para os meus padrões, mas a versão anos 80/90 era, pra mim, uma coisinha que eu não chutaria pra fora da minha cama caso ele fosse parar lá por algum motivo. Claro, depois de tomar um belo de um banho, porque tem jeitinho de seboso e sujo, né? Não quero isso.


Imagina de banho tomado.


2. Elden Henson
O Foggy Nelson de "O Demolidor", série da Netflix. Olha, não vou dizer que o ator que faz o Matt Murdock não é infinitamente mais gostoso, mais bonito, com mais cara de que me faria nescau quentinho num domingo à tarde. Mas eu acho que o Elden tem seu charme. E tem um baita carisma, o que meio que já dá ao cara um pacote de coisas que eu gosto.



3. Wesley Safadão
Ok, desse eu tenho vergonha de assumir que curto. Vergonha total, pura e simples. Wesley Safadão é, como diria um amigo maravilhoso, "meu tipo de estereótipo de lésbica". Deus do céu, esse homem tem TODOS os traços femininos, se veste mal, tem esse cabelo que é um bagulho que Deus me perdoe, eu rasparia com a zero caso tivesse chance e fosse ficar impune e mesmo assim, por algum motivo bizarro que eu não consigo compreender, eu ainda acho atraente. Credo *arrepios na alma*

"Essa mulé enlouqueceu, ela quer montá em cima de mim, ela pirou demais" faz muito sentido, né? Niondi isso é bonito?


4. Bruno (sem o Marrone).
Por muito tempo ele esteve num sólido segundo lugar na minha lista de Brunos prediletos, perdendo apenas para o outro Bruno dessa lista. Não consigo achar nenhum motivo racional pra eu achar esse cara atraente mas, novamente, eu acho. Jesus explica. Ou não.



5. Cássia Eller
Cássia era uma mulher - e uma mulher maravilhosa - mas ela se encaixa novamente na lista (que eu sei que é errada, gente, MIL PERDÕES) do "meu tipo de estereótipo de lésbica". Gente, que mulher. Eu acho que a Cássia sabia fazer o LÊ LÊ LÊ. Ela tinha a maldade no olhar.



6. Bruno Mars
Mais um que se encaixa na lista horrível anterior. Mais um por quem eu suspiro profundamente. Eu não tenho nenhum comentário maravilhoso pra fazer sobre o Bruno Mars e, no entanto, ele tá lá firme e forte no topo da minha lista de Brunos prediletos. Que homem o Bruninho de Marte! Com seu metro e sessenta (mais baixo que eu) desperta em mim toda a paixonite do mundo. Aff  ♥



7. Aziz Ansari
Ele tem uma voz bizarra e a aparência não é das mais bonitas do mundo. E você está completamente enganado se acha que isso importa pra mim. Meu Deus, eu consigo assistir STAND UPS desse cara, sabe? Esse cara consegue me deixar TENSA num stand-up. Eu não vou dar spoilers, mas aff... Que homem Aziz Ansari. Que homem! (Comigo o Aziz poderia pensar naquele lance que ele pensa toda vez que tá saindo com alguém de outra etnia, hein? Fica a dica!)



8. Jason Segel
Ele é um estranho adorável. Quer dizer... Atualmente ele tá usando barba (o cheat pra homem feio), o que já meio que o desqualifica um pouco pra essa lista... Mas vamos voltar um pouquinho atrás, vamos voltar pra época de Freaks & Geeks. Assustador, né? Bem assustador.
E aquelas olheiras, meu Deus? Aquele olhar fundo? Aquela cara de SOFRIDO? Aquela postura meio de loser, dum cara que tem quase 2m e mesmo assim anda curvado como se tivesse 1,6m?
Meu Deus. Por quê eu acho esse cara atraente? POR QUÊ?
Mesmo assim, eu acho. Chega a ser BONITO, até.





LISTA (incompleta, interminável em constante atualização e fora de ordem) DE HOMENS CONSIDERADOS BONITOS PELA SOCIEDADE QUE EU NÃO PEGARIA CASO TIVESSE CHANCE (nem pra me exibir depois, porque não faço essas coisas).

1. James Franco.

MEU DEUS, ESSA CARA DE CAVALO. ESSA BOQUINHA DE QUEM MERECE LEVAR UM SOCO. ESSA GENGIVA. ESSE OLHAR DE QUEM FUMOU MACONHA. JAMES FRANCO É O VALDIVIA DO MAL, PUTA QUE PARIU. E É PIOR PORQUE TEM UM CLONE JUVENIL DELE MESMO, AQUELE IRMÃO IGUALMENTE GENGIVENTO.


SO. MUCH. GENGIVA.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

This was never the way I planned - Not my intention

Daí que, nesse trampo novo, eu sou a pessoa mais nova e uma das únicas três mulheres, sendo a única solteira. 
Daí que, nesse trampo novo, eu lido diretamente com vendedores e peões de fábrica, com quem eu almoço e converso todo o meu tempo livre, já que a outra opção é conversar com a chefia e não, valeu.
Daí que eu acho que todo mundo nesse trampo novo acha que eu sou lésbica e eu não faço questão nenhuma de desmentir.



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Tudo começou há muito tempo atrás na ilha do Sol logo nos primeiros dias que eu entrei lá, numa onda de frio e chuva que tava irritando. Eu tenho um guarda-chuva do arco-íris, que eu ostento porque ele é a coisa mais bonita (além do meu rosto) que eu possuo. Daí numa chuva do capeta que tava rolando um dos caras da fábrica pediu o guarda-chuva emprestado e eu dei o meu que o cara aceitou relutantemente por ser do arco-íris. Na volta, enquanto eu saboreava um maravilhoso picolé de abacaxi, vi os outros caras da fábrica zoando o cara pelo guarda-chuva "de bicha" que ele tinha escolhido, niqui o cara prontamente deu uma de macho e disse "OW, TÁ ME ESTRANHANDO? NÃO É MEU NÃO!". Daí quando todos os outros estavam "ahhh, não é? de quem é?" eu levantei tal como Katniss na hora de seleção e mandei um "É MEU, POR QUÊ?"
Silêncio no recinto, depois uma longa risada e vários "AHHH, ACHEI QUE ERA DE BICHINHA, MÓ COISA DE VIADÃO ESSE GUARDA CHUVA COLORIDO AÍ, NÉ?" e eu, ainda chupando meu picolé e com a maior calma do mundo, mandei um "E é mesmo, comprei na parada gay, daora, né? Serve pra cobrir a cabeça na hora da chuva, não pra enfiar no cu... então acho que tanto quem curte anal, quanto quem não, pode usar, né?"
Mais silêncio no recinto. Peguei meu guarda-chuva e fui pra minha sala.

Uns dias depois, eu na copa comentando futebol (eu adoro ficar na copa comentando futebol) e um dos caras mandou um "Ah, num sei o que lá são paulo time de bambi, panetone blábláblá", que eu prontamente respondi com "Cara, que comentário babaca, sabe? 'Cê pode chamar os caras de TANTAS COISAS e vai zoar justamente com a única que não deveria nem ser motivo de zoação, sabe? Que babaquice. Quer dizer que só macho pode curtir futebol? E eu, que não sou macho? Tô errada? Preciso ser sapatão pra curtir? Aff" e saí do recinto com cara de cu.

A terceira, mas não a última, foi dia desses, quando eu entrei na fábrica (um lugar sujo, fedido, com matéria prima meio nojenta e que impregna toda a roupa quando você entra lá e que eu, portanto, só frequento com as roupas mais puídas e nojentas que eu jogo no cesto assim que eu chego em casa e só pego novamente depois de lavadas). Eu tava lá fazendo meu trabalho, anotando coisinhas e perguntando coisonas, quando de repente ouvi um "MOLEQUE, SAI DAÍ!" que eu solenemente ignorei porque, vamos lá, não sou moleque. Na terceira vez que ouvi o "MOLEQUE, 'CÊ TÁ SURDO?" e virei, notei que estavam falando de mim (que estava usando as roupas mais largadas e puídas do mundo por baixo do avental e do jaleco mais desajustado possível). Silêncio no recinto.


Depois teve meu chefe me mandando um "Você tá tão menina hoje que nem te reconheci" num dia que fui trabalhar de social, aí um dos vendedores mandando um "Ah, é que você é meio hominho, né?" e o dia que eu respondi grosseiramente e com palavrões algum xingamento que soltaram na minha direção achando que eu ia ficar quietinha.




Em resumo, acho que eles acham que eu sou lésbica. Em resumo, tô tão saturada do ambiente machista e homofóbico que quero mais é que se fodam. Em resumo, é isso - mas tem muito mais. Um dia eu conto.