segunda-feira, 27 de abril de 2015

Darling, you got enough for the both of us


Tem músicas que a gente curte por masoquismo (já que fazem a gente lembrar de coisas que seria melhor esquecer), porque o som é bom (Blurred Lines, com aquele machismo todo, é uma que eu não consigo ouvir sem dar pelo menos uma mexidinha. dsclp), porque a letra é maravilhosa, porque o cantor é gostosíssimo... Enfim, por N motivos... Mas tem umas que a gente curte por motivos completamente aleatórios - e, pra mim, 1+1 é uma dessas.

Curto essa música porque Beyoncé me entende exatamente quando o assunto é matemática ("I don't know much about algebra but I know one plus one equals twoooooooooo"), não desistir ("Hey, I don't know much about fighting but I, I know I'll fight for you") e inseguranças diversas causadas por traumas e tretas nos relacionamentos ("So when the world is at war let our love heal us all... Help me let down my guard and make love to me").
E, se tudo isso não fosse motivo suficiente, ainda tem essa forçadinha que ela faz com a voz no final das palavras que rimam com "you" que é beeeem legal fazer quando tô ouvindo e decido cantar em voz alta.





segunda-feira, 20 de abril de 2015

Mini Romance 6 - Tudo é mais complicado quando você tem sete anos

Deve ser porque de repente, de um dia pro outro, até os seus dentes te deixam na mão e caem. Você não entende nada e não confia em ninguém. É complicado ser criança. Comigo não foi diferente.


Eu gostava desse mocinho (Acho que ele foi a minha primeira paixonite. Aos sete anos) que se chamava Paulo (Paulinho, porque desde aquela época ele já era - inho*). O Paulo estudava comigo na 2ª série e sentava na minha frente, na segunda carteira da terceira fileira da porta**. Era o mais próximo que eu podia chamar de amigo na época que eu exigia muito pouco das minhas amizades: Me dava freegels, corria pra pegar lugar na fila da cantina pra mim enquanto eu guardava o lugar no Minhocão*** pra ele, trocava tazos comigo, sempre pedia o meu caderno pra copiar a lição de casa... Enfim. Foi meu primeiro melhor amigo e minha primeira paixonite.

Acontece que nessa época minha mãe me pegava todos os dias na escola... E, num dia qualquer, eu vi minha mãe conversando com uma moça enquanto me esperava e - 'cês imaginem a minha supresaquando descobri que a moça que estava falando com minha mãe ERA A TIA DO PAULINHO. Lembro que rolou um mini diálogo:

Tia do Paulinho, pra mim:"Você que é a Bia?”.
*eu balanço a cabeça. Era uma criança tímida*
Tia do Paulinho: "Esse é meu sobrinho, o Paulo. Ele tá no mesmo ano que você”.
Paulinho: "Ela tá na minha sala, tia!”.
Ai a tia do Paulinho fez uma cara de entendida e disse: "AH! ENTÃO ESSA É QUE É A BEATRIZ?" *e vira pra minha mãe* "Sua filha é bem comentada lá em casa...”.
minha mãe: "Aaaah! O Paulinho também é! É com ele que você troca tazo, não é?”.
*eu só balanço a cabeça*

E depois abstraí né, que a Tainá, minha amiga na época tinha se juntado ao grupinho e eu tava com pressa de ir embora pra assistir Cavaleiros do Zodíaco. Só que naquele dia uma coisa esquisita aconteceu: Eu reparei que o Paulinho era IGUAL ao Seiya. E que, pela primeira vez desde que CDZ tinha começado a passar, eu não tava torcendo pro Aldebaran arrancar a cabeça do Seiya com o chifre - o que era bem estranho levando em conta que eu odiava o Seiya desde sempre. Mas passou. 

No dia seguinte, enquanto eu mostrava o meu Chicorita dos mini pokémons do Caçulinha, o Paulinho disse que se eu fosse um Cavaleiro do Zodíaco eu seria a Shina. E foi ai que eu comecei a gostar dele (porque até mesmo uma criança de sete anos percebe o quanto é legal ser chamada de Shina!).
Claro, nunca falei nada. E a gente seguiu sendo amigos por todo aquele ano (saudoso 1997), com episódios memoráveis como quando a gente decidiu fundar um CRUJ  (Comitê Revolucionário Ultra Jovem, pra quem é 9inho e não sabe do que eu tô falando)... Ou quando a gente ia brincar de barra manteiga no intervalo (meninos x meninas) e ele sempre me escolhia e sempre me deixava pegá-lo****  e sempre passava o resto da brincadeira do lado do time das meninas conversando comigo.

Mas é tudo mais complicado quando você tem sete anos. Eu já disse isso?

Toda sala de aula que se preze tem uma menina por quem todos os caras vão se apaixonar. Como eu sempre fui sortuda, na minha tinham duas: A Ana e a Paula. São sempre loiras e sempre tem uma lancheira da Barbie. A Ana tinha cabelos cacheados e olhos verdes, a Paula tinha cabelo liso e channel e olhos azuis. As duas eram melhores amigas, tipo a Barbie e a Tereza, só que nenhuma delas era a Tereza porque obviamente eram duas Barbies. 
Eu era gordinha, usava óculos da Minie e tênis do Sonic (e minha lancheira era do Tails *.*) e não preciso dizer que eu, do alto dos meus 7 anos, comecei a achar que Paulinho estava a fim da Ana... E que isso foi o fim, né?
Não preciso porque é mentira. Foi o fim do CRUJ, o fim de brincar de tazo e o fim de brincar de barra-manteiga... Mas eu gostei dele da segunda até a quinta série. E fui várias vezes em festas na casa da tia dele (com minha mãe) e ele sempre estava lá e nós sempre brincávamos no Pula-Pula cheirando a peido... Mas nunca mais teve a amizade de bater tazo e mostrar pokémon e, lá por volta da quarta-série, a gente nem se cumprimentava mais no corredor. 

A vida é complicada pra quem tá saindo da primeira infância. De repente o cara que me chamava de Chiquinha quando eu perdi o dente da frente, que falava que já que eu usava o tênis do Sonic eu tinha que ter algum tipo de habilidade e que  era cinco centímetros mais alto que eu virou um anão, parou de crescer e de me cumprimentar nos corredores.
O tempo passa, o tempo voa, eu troquei meus tênis do Sonic por All star... Conheci o Sem-Amor-Próprio***** e, num dos dias que eu estava com ele (isso já no 1º pro 2º colegial) ele vira e me diz: "Sabe o Paulinho?" "Sei" "Então... Você sabia que ele foi apaixonadão por você da segunda série até o ano passado quando você saiu da escola?”.

E não. Eu não sabia. Eu sequer imaginava.
E acho que a vida é uma filha da puta. Essa é a moral da história.
Essa e o fato de que eu sempre me fodi, desde sempre, por não falar pro cara que eu gosto dele.

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Notas
* preciso dizer que esse não é o nome dele?
** não que minha memória seja linda. Ela é, mas isso eu lembro porque tenho anotado num diário.
*** Estudei num colégio que os alunos subiam em fila única (divididos por sexo) pras salas depois do intervalo. Alguém em um momento inspirado chamou essa fila de Minhocão.
**** Eu sempre fui gordinha. Sempre usei óculos. Sempre odiei E.F. O Paulinho sempre foi magro, baixo, rápido e ponta de lança nos jogos de futebol. Por isso era memorável quando eu conseguia pegá-lo.
***** Apelido maldoso que eu dei pra um moço errado com quem eu saí, um dos primeiros, antes mesmo do primeiro namorado oficial.


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Mini romance 5

5. O menino do Rio (toma esta postagem como um beijo se você, por acaso, cair aqui e se identificar)

Essa paixonite rolou durante o Carnaval de 2012 e, nos dias nostálgicos tipo hoje, eu chego a pensar que se tivesse sido em outra época que não 2012 teria durado muitos outros feriados. Mas nunca saberei, não é mesmo? RISOS.



Tudo parecia muito lindo e bom demais pra ser verdade desde o começo: Ele torcia pro Palmeiras, gostava de samba e tinha uma voz maravilhosa, além de dançar bem, ter um cafuné que era mais eficiente que me chamar de "minha linda" com aquele sotaque carioca que eu sempre achei que era um pouco forçado até descobrir que ele tinha meiiixxmo vindo do Rio.
Na verdade, dizer que ele torcia pro Palmeiras era pouco: Ele era doente pelo Palmeiras e foi por isso que a gente se conheceu (e foi por isso que eu achava o sotaque dele a coisa mais impossível do mundo: Como é que um carioca poderia torcer tanto pra um time de São Paulo? O Palmeiras não tem clima do Rio de Janeiro, vamos combinar): Quando a gente se conheceu era uma noite de quarta feira chuvosa, friorenta e irritante em que o Palmeiras jogava e eu esperava no ponto de ônibus minha chance de ir pra casa e ver o jogo. Então um cara gritou "GOL!" e eu fui com a maior cara de pau perguntar de quem - e aí esse cara respondeu, com um puta sorriso lindo, que era gol do Valdivia "o chileno mais lindo do mundo"Daí pra eu cair no riso e a gente ir conversando da USP até o Terminal Lapa, depois combinarmos de sair foi fácil do que apostar que o Valdivia vai se lesionar e desfalcar o Palmeiras por umas vinte rodadas.

O cara era intenso com todas as coisas que curtia: Ele não apenas gostava de samba: Ele respirava, comia, bebia e curtia cada nota que conseguia tirar do cavaquinho que eu o ouvi tocar no final de semana seguinte, descobri que, além de tudo, tinhamos um amigo em comum. Ele cantou, olhando pra mim, que fazia tempo que o coração dele não batia daquele jeito - e, um tempo depois, repetiu essa bem baixinho no meu ouvido enquanto se aproximava pra me dar um beijo. Eu nem percebi que já tava caidinha até ganhar esse beijo, não vou negar.

Esse cara era um perigo: Me chamava de "lindinha" e dizia que meu jeito de brava não o assustava. Por isso quem se assustou fui eu: Era um cara tão tranquilo, tão suave, que falava tão macio e conquistava sem fazer esforço que quem acabou se assustando fui eu - E eu dei no pé mais rápido que o Allan Kardec quando recebeu proposta pra jogar no São Paulo.
Menino do Rio se tornou um lembrete pra eu ficar longe dos cariocas pra eu deixar de ser trouxa e aproveitar as coisas boas quando elas aparecem. Sem medo. Porque eu só dei no pé porque fiquei com medo de enfiar alguém na minha vida (e o fato de que Menino do Rio parecia ser fácil e divertido feito o cara que veio antes dele, só me fez ter a certeza de que era CILADA e possivelmente ia acabar em raiva como foi com o igualmente fácil e divertido que veio antes dele ou, pior, com choro e tristezinha - tudo o que eu tive em 2012 por conta de outras coisas da vida e não queria jogar também pra vida amorosa).

Menino do Rio se formou na USP e voltou pra cidade maravilhosa. Da última vez que eu stalkeei tive notícias 'tava namorando uma moça paulista, baixinha, palmeirense que é, basicamente, uma versão minha que não se assustou. Contei essa história porque é um dos meus grandes arrependimentos, um dos grandes "se" da minha vida. Uma das vezes em que a culpa de ter tudo desandado foi toda minha.


Tipos de relacionamento que eu procuro: Protocooperação

É benéfico. A gente fica junto, a gente se dá bem o pessoal até comenta, mas o que é que tem?... Mas não somos indispensáveis um ao outro. Eu posso viver sem você, você pode viver sem mim... Seria mais complicado, mas não impossível. Relacionamento perfeito.
A biologia explica.




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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Faça, Fuce, Force, mas não fique na fossa...

"Os meus fantasmas são incríveis, fantásticos, extraordinários. Se fantasiam de Al Capone nas noites que tenho medo de gangsters. Abusam de minha tendência mística sempre que possível. Os meus fantasmas tornaram minha solidão em vício e minha solução em Status Quo. Ai! Meu Deus do Céu!"

Faça, Fuce, Force
Mas!
Não fique na fossa
Faça, Fuce, Force
Mas!
Não chore na porta
Faça, Fuce, Force
Vá!
Derrube essa porta
Trace, Fuce, Force
Vá!
Que essa chave é torta...

"Feliz por saber que só sei, que não sei, que quem sabe não fala, não diz. 
Vida: Alguma coisa acontece. Morte:  alguma coisa pode acontecer.
Que o mel é doce é coisa que eu me nego afirmar, mas que parece doce isso eu afirmo plenamente"

Faça, Fuce, Force
Mas!
Não fique na fossa
Faça, Fuce, Force
Mas!
Não chore na porta
Faça, Fuce, Force
Vá!
Derrube esta porta
Trace, Fuce, Force
Vá!
Que essa chave é torta...